Sabrina Noivas 125 - A Cowboy, a Bride & a Wedding Vow
 
Um grande amor  para sempre? Namorados de faculdade, o sensual Jake McCall e a inocente Catherine St. John passaram 1 ano intenso, apaixonado, vivendo seu amor. Ento, o destino e o dever intervieram, separando o casal... ...at o dia em que Jake, agora 1 fazendeiro bem-sucedido e determinado, viu-se frente a frente com seu passado... e com o filho de ambos! Determinado, queria ter o filho junto dele todos os dias. Para isso, teria de vencer a resistncia de Catherine... e convenc-la de que eles ainda poderiam viver um grande amor!

Digitalizao e correo: Nina

Dados da Edio: Editora Nova Cultural 2001
Publicao original: 2001
Gnero: Romance contemporneo
Estado da Obra: Corrigida

Srie The McCalls
Ordem	Ttulo	Ebook	Data
1	Cowboys, Babies and Shotgun Vows
	Oct-1998

2	A Cowboy, a Bride & a Wedding Vow
Sab.Noivas 125 - 
Esquea o Passado!	Jan-2001

3	One Wedding Night
	Apr-2002

4	Her Texan Temptation
	Dec-2002


    
















CAPTULO I

Acho que voc  meu pai. Jack McCall quase parou de respirar ao ouvir aquilo. Seu corao passou a bater acelerado e, em seus ouvidos, era como se pudesse escutar o trotar de inmeros cavalos, como estava acostumado em seu rancho, no Texas.
Voltou-se para o adolescente alto e esguio que se encontrava recostado ao batente da porta, com o rosto muito plido e sem expresso. No podia ter ouvido direito. De modo algum.
As palavras ditas segundos atrs reverberavam em sua mente, tirando-lhe a habilidade de formular uma resposta imediata. Tentava, porm, articular alguma coisa racional. Suas sobrancelhas estavam mais unidas e teve de menear a cabea, como para clarear os pensamentos. Ento, aps mais alguns segundos de absoluto silncio e confuso mental, disse apenas:
 Acho que est enganado, filho.
Seu tom de voz era firme e profundo e seus olhos perscrutavam o rosto do jovem, notando detalhes. Ele vestia uma cala jeans desbotada, que parecia ser dois nmeros maior do que o seu tamanho, bem como a camiseta branca que exibia o que Jake imaginava ser o nome de algum grupo de rock.
A densa camada de poeira que cobria seus tnis pretos quase os tornava brancos. E os cabelos, de um castanho muito claro, passavam da linha do pescoo.
Jake observou a expresso reservada do adolescente, enquanto este trocava a mochila de ombro. Notava o quanto ele estava tenso pelo modo como segurava as alas velhas.
Jake reconhecia a marca comercial estampada na mochila, o que significava que aquele no era apenas mais um jovem perdido pelas ruas da cidade. Devia ter uma famlia, e esse pensamento deixou-o mais preocupado.
	Voc  Jacob Matthew McCall, no ?  insistiu o rapaz. Seu olhar sustentava o de Jake e, embora sua voz contivesse certa determinao, seus ombros assumiam uma postura curvada, como se procurasse defender-se de algo.
Jake assentiu, em silncio. E pareceu-lhe aguardar por uma eternidade at que o adolescente voltasse a falar:
	Vim de longe para conhec-lo.  Seus olhos tinham uma expresso cautelosa, como se no tivesse certeza de ser bem recebido ou no soubesse o que esperar de sua visita inesperada.
Era uma pena ver to pouca confiana nos olhos de um jovem, pensou Jake.
Sua curiosidade se aguava para saber quem ele poderia ser e de onde viera.
Assim que abrira a porta e o vira, imaginara que poderia ser de Crockett. A escola tinha encerrado o ano letivo, e muitos jovens haviam passado por ali  procura de um emprego de frias, a maioria deles adolescentes que moravam na cidade e que nunca tinham pisado num rancho.
O garoto dissera ter vindo de longe. Jake ergueu os olhos, para ver por sobre os ombros dele, mas no havia nenhum automvel por perto.
	Como chegou aqui?  indagou, seco.
Os lbios do rapaz se curvaram numa ameaa de sorriso.
	Tomei um nibus  explicou.  Depois peguei carona umas duas vezes. Uma delas foi em Ozona, com uma pessoa que estava vindo para Crockett. Estava caminhando nesta direo quando uma senhora parou o carro e acenou para mim. Ela disse que seu rancho ficava prximo e trouxe-me at aqui.
	Mary Beth Adams?  Jake perguntou, adivinhando de quem se tratava: sua vizinha.
	, esse era o nome dela.  O garoto assentiu com a cabea.
Jake no conseguia acreditar que aquele rapaz tivesse se arriscado tanto. A curiosidade para encontrar o pai devia t-lo deixado cego para os perigos de uma viagem to longa, sozinho. E Jake sabia o quanto um segredo podia levar uma pessoa  loucura...
Quando assumira o controle do rancho, aps a morte de seus pais, soubera que a mulher a quem amara como me no era, de fato, sua me. Mas nunca conseguia discutir o assunto, nem mesmo com seus irmos ou com a irm.
Procurou afastar tais pensamentos de sua mente, porque eles ainda eram muito dolorosos. O que tinha diante de si agora nada tinha a ver com o segredo de famlia que ainda fazia seu corao sangrar.
Olhou mais uma vez para aqueles intensos olhos verdes que o fixavam. Sabia que fora necessria muita coragem para que aquele adolescente batesse a sua porta com uma histria assim.
O rapaz deu de ombros e acrescentou:
	Ela disse que voc  conhecido como Jake e me deu sua descrio fsica, ento achei que tinha encontrado a pessoa certa assim que voc atendeu  porta.
	Qual  o seu nome?  Jake indagou, ainda atento aos detalhes do rosto do garoto. Era estranho, mas ele lhe parecia familiar. Alguma coisa no verde de seus olhos provocava uma estranha reao em sua memria. Uma mistura incmoda de dor e nostalgia...
Gostaria de saber ao certo por qu. Aos trinta e quatro anos, suas recordaes no eram to antigas assim, mas andava tendo muitas outras coisas no que pensar ultimamente. Ashley, sua cunhada, tinha tido gmeas, e a famlia adquirira uma dimenso diferente, bem maior.
Sentiu, mais uma vez, uma ponta de inveja, ao pensar nas duas sobrinhas, mas lembrou-se, mais uma vez, de que se sentia tambm muito feliz pelo irmo.
 Matthew. Meus amigos me chamam de Matt  o garoto respondeu, mantendo a expresso fechada. E, como se ganhasse coragem, endireitou as costas e os ombros.
Ele no dissera seu nome inteiro, Jake notou. No sabia o que fazer com ele. E, de repente, uma sensao estranha, quase como um calafrio de medo, percorreu-lhe a espinha.
Seu nome do meio era igual ao do garoto, embora no o usasse nunca. Procurou imaginar que aquilo no passava de coincidncia e, talvez, um dos motivos pelos quais o adolescente viera ter  sua porta.
A nica coisa de que tinha certeza na vida era de que jamais poderia ser pai. Pouco depois de mudar-se para o rancho, fora lanado ao cho por um cavalo bravio enquanto o treinava. Em seus movimentos frenticos, o animal o escoiceara vrias vezes e, como sequela irreparvel, Jake ficara estril. Ficara desolado quando o mdico anunciara o resultado dos exames, mas aprendera a conviver com o fato.
Entretanto, fora apenas quando conhecera e passara a namorar Maxine que Jake percebera que sua impssibilidade de ter filhos o manteria solteiro para sempre. Sara com ela por mais de seis meses e s ento lhe dissera que no poderia ter filhos. Ela ficara aborrecida, mas compreendera e garantira-lhe seu amor incondicional, dizendo-lhe que seu problema no faria diferena no relacionamento de ambos.
Jake acreditara e comeara a fazer planos para o futuro, pensando em propor-lhe casamento em breve. Chegara, mesmo, a comprar-lhe um anel. Agora, ao lembrar-se, sentia seu corao apertar-se, dolorido.
Na noite em que pretendia falar com ela a respeito, Maxine rompera o relacionamento, dizendo-lhe que conseguiria conviver com o "problema", mas que acabara por mudar de ideia. Queria um homem, como dissera, "completo".
Magoado e desiludido, Jake jurara nunca mais deixar-se ser to vulnervel a uma mulher. No precisava de um relacionamento permanente em sua vida. E sempre que desejava companhia ou diverso, encontrava algum para apenas uma noite ou duas, nada mais.
Mesmo assim, ainda era doloroso pensar que nunca poderia ser pai, principalmente em comparao com o irmo. Ryder parecia disposto a povoar todo o condado! As gmeas eram ainda to pequenas e Ashley j estava grvida novamente, o que fazia Ryder andar sempre com aquele sorriso satisfeito e feliz nos lbios...
Jake lanou mais um olhar ao rapaz que aguardava, na porta. Ele era alto, quase chegava aos seus ombros, mas o tamanho no combinava com a inocncia de seus traos. No devia ter mais de doze anos, o que tornava sua jornada solitria ainda mais perigosa.
 Bem, Matt  comeou, abrindo a porta de tela que ainda os separava.  Por que no entra para conversarmos e esclarecermos esse assunto?
O garoto ajeitou a mochila no ombro mais uma vez.
Deu um passo para dentro da casa, passando o olhar ao redor, parecendo surpreso com o tamanho da sala.
Jake fechou a porta e um silncio pesado tomou conta do ambiente. No sabia o que fazer agora. Sabia, porm, que precisava achar uma soluo para aquela situao rapidamente. A famlia do rapaz j devia estar desesperada  sua procura, imaginou. Mas, antes que pudesse dizer ou fazer alguma coisa, Ryder apareceu, vindo da cozinha.
	Ashley pediu que eu o chamasse  disse.  As meninas j comeram e no temos muito tempo. Ela disse que no vai esperar muito para servir o jantar e que voc precisa vir logo.  Ele sorria, mas ento notou a presena do garoto e parou de andar de repente, lanando um olhar curioso para o irmo.
	Este  Matt  Jake apresentou.  Matt, este  meu irmo, Ryder.
Ryder estendeu a mo, que o garoto apressou-se em apertar.
	Veio procurar trabalho?  Ryder quis saber, olhando para Jake.
	No exatamente. Parece que... temos um assunto a tratar  Jake explicou, sem ser muito claro.  V comer, eu estarei l daqui a pouco.
O olhar curioso de Ryder ia de um ao outro, mas ele saiu da sala sem nada comentar.
	Vamos para um local mais privativo.  Jake indicou o hall, e o menino o seguiu. Quando j estavam no escritrio do rancho, ele indicou uma poltrona prxima para que o rapaz a ocupasse e dirigiu-se  escrivaninha grande, de madeira escura, recostando-se nela.
Seus olhos no deixavam Matt por um s minuto. Assim que o menino se acomodou, Jake comeou, abrupto:
	Bem, quero deixar bem claro, antes de mais nada, que no posso ser a pessoa que voc est procurando. No entanto, acho melhor voc comear sua histria do comeo: de onde vem?  E cruzou os braos sobre o peito forte.
	Venho de Lubbock.
Jake assentiu, as sobrancelhas mais juntas.
	Estive na escola, em Lubbock, por algum tempo  comentou.
	Eu sei.
Mais uma vez, as palavras do garoto prenderam-lhe a respirao. Jake estava surpreso diante de tal resposta. Quanto mais aquele menino saberia a seu respeito? E como descobrira?
	Sabe, ?
	Sim, senhor.  O olhar de Matt sustentava o de Jake, lmpido, franco.  Estudou na Escola Tcnica do Texas, no ?
Os olhos de Jake abriram-se mais, mas ele baixou-os logo, para que o garoto no percebesse sua reao. Estivera naquela escola, at seus pais morrerem. Ento voltara para casa, para ajudar a cuidar dos irmos.
Imaginava que no era normal Mary Beth fazer aquele tipo de comentrio, mas devia ter sido ela quem mencionara o fato de ele ter estudado na escola tcnica para aquele garoto. Tambm poderia ter sido qualquer outra pessoa que o conhecesse e que morasse em Crockett.
Todos, num raio de mais de cinquenta quilmetros, conheciam Jake e sua famlia. E todos sabiam tambm que ele no terminara os estudos, que deixara o colgio para voltar para casa, para cuidar do rancho depois do terrvel acidente de avio que vitimara seus pais.
E tambm que terminara de criar seus irmos. Era estranho, pois imaginava que Matt no estivera em con-tato com outra pessoa da regio alm de Mary Beth...
	Encontrei um papel que minha me guardava numa gaveta da cmoda  explicou Matt, no parecendo estar muito  vontade.  Foi assim que descobri que voc  meu pai.
Jake sentia uma certa dor no peito cada vez que o garoto afirmava ser seu filho. No podia negar o quanto se sentia frustrado, o quanto seu corao gostaria de poder acreditar numa histria maluca como aquela...
A maioria das pessoas poderia achar que, depois de ter criado os irmos, ele j estivesse satisfeito com a famlia que tinha. Ele mesmo j se dissera isso muitas vezes, e gostaria de ainda pensar e sentir-se assim.
Fora responsvel por seus irmos e irm, Lynn, desde a idade de vinte e um anos, mas sabia que eles nunca poderiam ser substitutos para uma famlia que fosse s sua. Talvez por isso mesmo tivesse sido to difcil ver cada um deles crescer e amadurecer...
E fora apenas quando Ryder se tornara pai que Jake percebera o quanto sentia falta de ter filhos. Mesmo satisfeito com a felicidade do irmo e da cunhada, sabia que havia uma ponta de inveja, nada malfica, em seu corao. E o mais irnico de tudo era que Ryder sempre dissera que no queria ter filhos, mas acabara por encontrar a mulher de sua vida e se casara, logo iniciando sua prpria famlia.
Jake sabia que isso jamais lhe aconteceria.
	Que tipo de papel encontrou?  indagou, voltando  realidade. Notou que o menino o olhava com tanta intensidade que preenchia um determinado espao vazio em seu corao...
	Um documento de hospital.
	Como... um certificado, ou coisa assim? Com uma marca digital de p de beb?
Matt assentiu.
Jake pensava, calado. At que perguntou:
	Tem esse papel a, com voc?
Matt colocou a mochila sobre as pernas e abriu um zper lateral. Vasculhou por alguns instantes na abertura e, por fim, tirou dela uma folha de papel dobrada, que estendeu a Jake, observando:
	Seu endereo est escrito aqui.
De fato, o endereo de Jake estava anotado no verso. E, por algum motivo que Jake no entendeu no momento, a caligrafia pareceu-lhe familiar. Abriu a folha, lendo com ateno, notando que se tratava de uma legtima certido de nascimento.
Procurou por seu nome no documento, e sentiu o corao falhar por um segundo quando o viu, escrito a mquina, depois da palavra "pai". Sua reao imediata foi procurar pelo nome da me, na linha de baixo, e seu corao sofreu outro golpe quando, realmente, o reconheceu: Catherine St. John.
Suas mos estavam trmulas agora. No estava preparado para as emoes que o tomavam naquele momento. Seu peito parecia estar apertado demais e detestava a sensao de estar absolutamente sem controle do que sentia.
Durante toda sua vida, sempre tivera muitas responsabilidades sobre os ombros, sempre tivera de tomar decises, faz-las dar certo, administrar o rancho de modo correto e cuidar para que seus irmos tivessem uma educao apropriada. Fazia muito tempo que no pensava em Catie... E, de repente, sua mente voltou aos anos de faculdade.
Conhecera-a na escola, apaixonara-se por ela... Tinham chegado, at, a falar em casamento... Mas ambos sabiam que precisavam terminar os estudos e o pai dela teria tido um colapso se soubesse o quanto estavam envolvidos. Catie...
O rosto dela ainda estava ntido em sua mente. Uma morena bonita, alta, elegante, que fizera seu corao arder de paixo. Mas Jake deixara de lado o namoro e as promessas que lhe fizera.
Lembrava-se de que, na ltima vez em que a vira, tinham discutido sobre alguma coisa. O motivo, porm, escapava-lhe da memria. Naquela noite, recebera o telefonema informando sobre o acidente com seus pais e voltara, apressado, para casa, para cuidar do que fosse necessrio em relao ao enterro e, posteriormente, aos cuidados com o rancho e com seus irmos.
E, durante esse processo, acabara se distanciando de Catie. Ergueu os olhos para Matt. Aquele era o filho dela. De sua Catie... No, no mais to sua... Perdera o direito de cham-la assim havia muito tempo.
Sentia-se envergonhado por nunca ter ligado para ela, mas, ao voltar ao rancho, encontrara-o afundado em dvidas, e gastara todo seu tempo e energia tentando salv-lo dos credores. E ento acontecera o acidente...
E, sendo ponderado e justo agora, notava que Catie tambm nunca telefonara.
Matt continuava encarando-o. Jake respirou fundo, tentando manter as emoes sob controle.
	Catie St. John  sua me?  perguntou, a voz mais rouca. Pigarreou, procurando deixar mais claro o tom que queria usar e aliviar o aperto que pressionava seu corao. Mas foi em vo.
Matt assentiu. Parecia hesitar.
	Nunca ouvi ningum cham-la assim  comentou.  Todos a tratam por Catherine.
Jake digeriu tal informao. Passara a cham-la de Catie pouco depois de terem se conhecido.
	Matt, sua me contou-lhe que sou seu pai?  quis esclarecer. Devia haver algum engano, ela devia ter tido algum motivo para colocar seu nome na certido do menino...
	No  admitiu o garoto.  Eu... no perguntei, de fato, a ela.
	No perguntou? Quer dizer que no falou com sua me sobre isto?  Ele estava incrdulo diante daquela revelao.
Matt negou com a cabea baixa.
	Ento... est me dizendo que Catie... sua me no sabe sequer que estava curioso para saber sobre seu pai?
	No podia acreditar que o garoto tivesse se lanado em tal aventura, atrs do suposto pai, sem, ao menos, discutir o assunto com a me.
Que tipo de relacionamento teriam os dois? A doce garota que conhecera no passado teria mudado tanto assim? Seria agora uma pessoa to distante?
	Ela no tem mais tempo para mim  Matt confessou, com certo desafio na voz.  Vai se casar em breve. Imaginei que, se encontrasse meu pai, talvez... talvez... pudesse morar com ele por algum tempo... No vai demorar tanto assim para eu me formar e depois poderei cuidar de mim mesmo.
Pela primeira vez, ele parecia preocupado, como se seus planos para o futuro tivessem falhas sobre as quais nem gostava de pensar.
Jake deixou a certido sobre a mesa e endireitou os ombros, tornando a cruzar os braos. A notcia sobre o casamento iminente de Catie no deveria ter-lhe causado reao alguma, mas sentiu algo diferente.
	No acha que ela pode estar muito preocupada com voc neste exato momento?  indagou.
Uma sombra de culpa passou pelos olhos do menino.
	Imagino que sim...  concordou. Seu rosto estava triste e ele parecia engolir com dificuldade. Era bvio que queria parecer adulto, mas Jake via ali apenas um garoto que precisava muito de ateno... e de um pai.  Imagino que no goste nem de saber que eu existo...  disse ele, com amargura. E olhou para Jake de tal maneira como se sua vida dependesse do que estava prestes a ouvir. Jake praguejou baixinho, depois, pedindo desculpas ao rapaz, deu uma volta pela escrivaninha, pensativo. Deixara que o advogado de seu pai, Frank Davis, cuidasse de toda a correspondncia do rancho. Com certeza, ele teria encaminhado qualquer carta pessoal a seu conhecimento...
	Acredite, Matt, se eu soubesse sobre voc, com certeza, teria entrado em contato com sua me.
Foi at a janela e olhou para fora, para as terras extensas que pertenciam a sua famlia. Entregara-se de corpo e alma quela propriedade, garantindo que sua famlia permanecesse sempre unida. E agora via-se diante da possibilidade de ter deixado para trs um filho...
Voltou-se para encarar o rapaz mais uma vez. E era como se agora pudesse ver os traos de Catie nele, por isso Matt lhe parecera familiar a princpio, quando atendera  porta. O nariz era muito semelhante ao dela e havia aquela maneira de mover a cabea quando falava... Catie costumava agir assim...
Matt seguia-o com os olhos. Ento, aproximou-se do menino para dizer:
	Preciso dizer-lhe que ainda acho que deve haver algum engano nisso tudo  confessou.  Mas acho que devemos ligar para sua me agora mesmo. Tenho certeza de que ela deve estar muito preocupada com sua ausncia.
Matt levantou-se.
	No quero voltar a viver com ela  disse, decidido.
 No posso ficar aqui? Prometo que no vou causar nenhum problema. Vou muito bem na escola e posso ajud-lo no trabalho do rancho.
O corao de Jake encheu-se de compaixo, mas ainda no acreditava que Matt pudesse ser, de fato, seu filho.
Tinha certeza de que Catie teria uma explicao plausvel assim que entrasse em contato com ela.
	No posso prometer-lhe nada  avisou ao garoto.  A primeira coisa que temos a fazer  falar com sua me.
O garoto parecia tenso, aflito. Mas Jake ignorou tal fato e, tirando o fone do gancho, ofereceu-o a ele. Matt vacilava, e Jake moveu o aparelho de leve, encorajando-o.
Matt aproximou-se e, aceitando, discou um nmero e aguardou, os olhos sempre presos a Jake. O tom verde deles se acentuou quando sua me atendeu.
	Oi, me, sou eu, Matt  informou.
Houve breves segundos de silncio, enquanto ele a ouvia. Jake arrependia-se por no ter colocado o aparelho em viva-voz, para que pudesse saber o que Catie estava dizendo. Estava, tambm, surpreso, com a ansiedade que sentia em ouvi-la, mesmo sob circunstncias to estranhas e inesperadas.
	Estou bem, me  disse Matt, na conversa.  Desculpe-me por t-la deixado preocupada.
Novos instantes de silncio, enquanto o garoto dava as costas a Jake, para ocultar as lgrimas que lhe vinham aos olhos.
	Eu sei, me... Sinto muito. De verdade...  Sua voz tremeu, parecia estar com dificuldade para manter o controle de suas emoes.  Sei que vai ficar furiosa comigo, mas vim procurar meu pai. Encontrei o papel do hospital em sua gaveta, com o endereo... Sabe, aquele que estava em sua cmoda...
Jake apenas observava. Percebia o quanto o garoto estava arrependido do que fizera e impressionava-se com seu comportamento. Notava que Matt tinha boas maneiras, que tinha conscincia. Parecia-lhe que Catie tinha criado muito bem seu filho. O filho de ambos...
Sua mente comeou a divagar. Poderia ser verdade?
Seria Matt, de fato, seu filho? Olhou mais uma vez para o menino, procurando sinais fsicos de tal possibilidade. Alm de sua altura, tudo o que podia ver no rapaz era Catie... Matt tinha os mesmos cabelos castanho-claros, os mesmos olhos verdes.
No, ele no poderia ser seu filho, concluiu. Catie no esconderia tal coisa por tanto tempo! De repente, seus pensamentos foram interrompidos: Matt estava estendendo o fone em sua direo.
	Minha me quer lhe falar  explicou ele, muito contrito.
Jake hesitou por segundos que lhe pareceram uma eternidade, depois pegou o aparelho e respirou fundo, levando-o ao ouvido.
	Catie, aqui  Jake  informou.
Houve um silncio e, esse sim, muito longo, do outro lado da linha. Por alguns instantes, Jake imaginou que a ligao tivesse sido interrompida, mas ento, ela falou:
	Jake...
Ouvi-la dizer seu nome foi como preencher um imenso espao vazio em seu peito. Podia perceber muito bem o quanto estava sendo difcil para Catie lhe falar. Devia ter entrado em pnico quando dera por falta do filho.
	Como vai, Catie?  Tambm ele sentia dificuldade para pronunciar as palavras.
	Bem... Eu estou bem. E... chame-me de Catherine.  O tom que ela usava no guardava nada da suavidade de que Jake se lembrava.  Olhe, sinto muito pelo que aconteceu.  Mais uma vez ela se interrompeu, como se lhe fosse impossvel continuar.
	Ele est bem, Catherine.  Agora, aquele nome, dito daquela maneira, parecia-lhe absolutamente estranho. Era como se estivesse preso numa espcie de abismo no tempo.
E o mais estranho era que podia sentir o terror dela pelo telefone. Parecia estar desesperada e exausta. Jake ergueu os olhos para Matt e, por um momento, quis estrangul-lo pelo que fizera  me. Como pudera fugir de casa daquela forma?
Segundos depois, ela tornou a falar:
	Fiquei to preocupada... Imaginei que algo terrvel pudesse ter acontecido a Matthew. Tantas coisas assim acontecem s crianas hoje em dia... No sei o que deu nele...
	Ele me parece um tanto cansado, mas, alm disso, est bem. No se preocupe.
	Obrigada por ter ligado  ela sussurrou.
Jake hesitou por instantes antes de prosseguir:
	Imagine...  A conversa entre ambos parecia quase impossvel. Os anos todos que se tinham passado estavam colaborando para que nada houvesse entre ambos. Nada. E isso o fazia imaginar o quanto Catie teria mudado.
Juntos, no passado, podiam conversar sobre qualquer assunto, e agora era como se fossem completos estranhos...
Bem, mas eram, Jake lembrou-se. No conhecia mais a Catherine com quem estava ao telefone e ela tampouco sabia alguma coisa a seu respeito. No eram mais os dois estudantes que tinham se apaixonado...
	Como Matthew conseguiu chegar at a?  ouviu-a perguntar.
	Disse que tomou um nibus e depois pegou algumas caronas.
	Oh, meu Deus! Jake, estou saindo agora mesmo para busc-lo.
Jake consultou seu relgio e franziu as sobrancelhas.
	J  tarde  lembrou-a.  Por que no espera at amanh pela manh?  Sabia que no seria bom para ela dirigir nervosa como estava. Em seguida, achou-se ridculo por estar preocupado. Provavelmente, Catherine no viria sozinha...
	No. Eu vou agora, Jake.  Havia tamanha determinao na voz dela, que Jake apenas deu de ombros. Sabia que estava preocupada, mas, por algum motivo, sabia que havia algo a mais naquela vinda.
Percebia o pnico por trs da voz de Catherine, e lanou mais um olhar ao garoto, que se mantinha calado, do outro lado da sala. Ele estava visivelmente assustado, tenso, preocupado.
	Espere um minuto, sim?  pediu a ela, depois cobriu o bocal com a mo.  Matt, por que no espera na sala enquanto falo com sua me?  sugeriu. E, como o menino hesitasse, insistiu:  V!
Matt assentiu e obedeceu. Assim que ele se foi, Jake voltou a falar:
	Pedi para Matt ir para a outra sala. Agora podemos falar em particular.
	Isso no era necessrio. A nica coisa que tenho a dizer  que estou saindo para busc-lo. Agora mesmo!
 O tom era frio, determinado.
	Catie, espere...  Jake percebeu que tornara a cham-la daquela forma. Sabia que seria melhor falar com ela pessoalmente, mas havia uma urgncia em seu peito que no conseguia controlar. Tinha de perguntar-lhe na quele momento. No queria que ela viesse e, simplesmente, levasse Matthew embora, sem maiores explicaes. Queria respostas.
	Catie, Matt me contou por que veio.  Aps tal afirmao, houve mais um longo momento de silncio do outro lado da linha.
	O que... o que, exatamente, ele lhe disse?  ela perguntou, afinal. Novamente, sua voz parecia tensa.
	Ele me mostrou a certido do hospital. Meu nome estava l.  Nada mais disse, esperando que tais palavras, se tinham provocado o mesmo choque que fora para ele, tomassem sentido para ela.
No entanto, como Catherine se mantivesse em silncio outra vez, respirou fundo e, reunindo toda sua coragem, perguntou de modo claro e direto:
  verdade, Catie? Sou o pai de Matt?

CAPITULO II

Catherine segurava o fone com mos crispadas, como um nufrago segura um pedao de madeira que flutua. Sentiu como se seu corao no tivesse mais foras para bater e cerrou os olhos com fora.
A pergunta de Jake rebatia em sua mente. Receava ouvi-la havia muito tempo. Mais tempo do que Jake poderia imaginar. Treze anos, desde o dia em que soubera que estava grvida, sempre imaginando e temendo o instante que acabara de chegar.
Pensara muito, preocupara-se, temera demais... No se passava um s dia em que no pensasse em Jake ou nas circunstncias que a tinham levado a ficar sozinha e grvida.
	Jake  comeou, como numa splica, mas ele a interrompeu de imediato.
	Catie, quero saber a verdade. Agora. Matt  meu filho?
Ela vacilou ainda por instantes, depois confirmou:
	, sim.  As palavras, sussurradas, mal eram audveis. E o silncio que as seguiu era terrvel.
Foi Jake quem o quebrou e seu tom no era gentil:
	Por qu, Catie?  exigiu saber, incrdulo e zangado.  Por que nunca me contou?
A primeira reao dela foi querer deixar de lado o assunto, acabar com aquela conversa. J estava lidando com uma crise, no podia enfrentar outra. No, naquele momento. No, depois de estar to preocupada durante horas, imaginando onde Matthew poderia estar e o que lhe poderia ter acontecido.
	Acho que no deveramos falar sobre isso pelo telefone  pediu, esperando no parecer to apavorada quanto, na verdade, estava.
Precisava de tempo para pensar, para recompor suas emoes.
	Estou saindo, vou chegar a em breve. Ento, poderemos conversar sobre o assunto.  Esperou por alguns segundos e, como houvesse apenas silncio, acrescentou depressa:  Estarei a assim que puder.
	Matt est cansado e, provavelmente, com fome  Jake explicou.  Tenho certeza de que gostaria de dormir. Por que no vem amanh? Tome um avio at San Luis, depois alugue um carro. Poder estar aqui no comeo da tarde.
	No. Quero ir agora  ela insistiu, a voz comeando a trair sua apreenso.
	Ele no vai sair daqui e parece-me que vocs dois precisam de algumas horas para se recompor. Fique tranquila, cuidarei para que ele no saia daqui.
	No estou preocupada com o fato de ele tentar fugir novamente.
	Ento, o que a preocupa?
Catherine suspirou.
	Jake,  complicado explicar... Matt jamais deveria ter ido procur-lo. Ele est confuso...
	Catie...
	Ele  meu filho. Sinto muito se voc foi envolvido nesse assunto, que ele tenha conseguido chegar at a antes que eu pudesse esclarecer tudo com ele. Mas no vou deixar que ele fique mais tempo do que necessrio.
	, tem razo  Jake concordou, surpreendendo-a.
	Acho que devemos discutir o assunto pessoalmente.  Ento sua voz assumiu um tom mais firme, embora mais baixo:  Amanh.
	No quero esperar at amanh!  A voz dela soou trmula. Sabia que s conseguiria chegar l na tarde seguinte. Passou a mo pela testa, sentindo um princpio de dor de cabea,	
	No estou lhe dando outra alternativa, Catie  Jake anunciou, em tom duro.
	Mas... isso no ...
	No  o qu? Justo?  isso que ia dizer?
	Olhe, Jake...
	Olhe, voc! Matt est aborrecido, cansado.  melhor darmos tempo a ele para que se restabelea. Voc pode muito bem vir amanh!
Catie torceu os lbios, seus dedos crispavam-se em torno do fone. Procurava manter-se calma, mas Jake estava dificultando as coisas.
	No preciso que me diga o que  melhor para meu filho!  rebateu.
	Aparentemente, precisa, sim. Ele fugiu de voc! E isso me diz que Matt no estava feliz.
Catherine cerrou os dentes, extremamente irritada. Como Jake podia saber alguma coisa a respeito de seu filho se, at poucas horas atrs, no sabia sequer de sua existncia? A raiva que sentira durante aqueles anos todos estava a ponto de explodir diante da posio rgida que ele assumia agora.
	Voc no sabe de nada, Jake. No sabe sobre mim e nem sobre Matthew.
	Bem, eu sei de uma coisa, com certeza, Catie: sei que ele  meu filho.
Ela no quis ouvir mais. Desligou o telefone com um golpe seco. Ao que parecia, no lhe restava outra soluo, a no ser esperar para seguir at o rancho no dia seguinte. 
E, diante das circunstncias, parecia-lhe claro que no havia outra soluo melhor.
Jake no lhe dera outra opo. Poderia ignor-lo e partir imediatamente, mas ele lhe parecera hostil, e Catherine no queria fazer de Jake um inimigo. No agora. No enquanto Matt estivesse na casa dele.
Foi at seu quarto e comeou a arrumar a mala. Separou algumas coisas, depois foi at o quarto do filho e separou uma muda de roupas para ele tambm.
Como no percebera que aquilo estava a ponto de acontecer?, recriminava-se. Estivera assim to alheia aos sentimentos de Matthew que deixara de ver os sinais do que se aproximava? No fora capaz de perceber que algo estava errado na vida de seu filho?
Notara que ele andava distante e mal-humorado nos ltimos meses, mas imaginara que isso no passasse de mais uma fase da adolescncia. Todos os adolescentes passavam por mudanas comportamentais e fases de angstia e distanciamento.
Como coordenadora de um colgio de segundo grau, conhecia muito bem o assunto. No imaginara que houvesse algo mais srio no comportamento de Matt. Ele era um bom garoto, respeitoso, educado, bom aluno. Imaginara que ele precisava apenas de algum tempo para voltar a ser como antes.
Mas estivera errada o tempo todo, agora percebia isso. Terrivelmente errada...
Embora seu filho soubesse do documento que guardava em sua cmoda, ela jamais imaginara que tivesse coragem de ir at l para procur-lo.
Lembrava-se de quando Matthew estava com oito anos e vira uma fotografia dela e de Jake juntos. Ele lhe perguntara se aquele era seu pai. E ela decidira contar-lhe toda a verdade, dizer-lhe que seu pai era um antigo namorado da escola.
Matthew parecera se satisfazer com as explicaes, pois nunca mais perguntara nada a respeito.
Agora, perguntava-se o que poderia ter feito para fazer com que seu filho acreditasse que no o queria mais por perto. Desde que ele nascera, sempre tinham estado muito juntos, apenas os dois...
Quando ela descobrira que estava grvida, Jake j partira para tomar conta do rancho e dos irmos menores. Ela tentara contat-lo, telefonara, deixara alguns recados, mas ele nunca respondera...
Tinham brigado na noite anterior  partida dele, o colega de quarto de Jake lhe contara sobre a morte dos pais dele. Quisera segui-lo, mas seu pai no permitira. Ento, as semanas comearam a passar e ela no recebera mais nenhuma notcia dele. Magoada e imaginando que Jake tivesse rompido o relacionamento de vez, ela desistira de procur-lo.
Depois, ao saber que estava grvida, escrevera uma carta, pedindo-lhe que entrasse em contato. Mas, em vez de receber uma carta de Jake, ela recebera uma de seu advogado, dizendo-lhe que ele no a conhecia.
Fora ento que Catherine decidira no contar a Jake sobre o beb. Amava-o, sim, mas no o queria de volta apenas para assumir um compromisso porque ela engravidara. Quisera, e muito, seu amor, mas ele a deixara fora de sua vida.
Agora, tantos anos depois, ela se sentou  mesa e, segurando a cabea entre as mos, deixou-se ficar assim, desolada e confusa, os olhos cerrados, a mente num frenesi de emoes.
Sentira-se magoada e trada no passado e deixara-se dominar pela raiva durante anos. Isso dera-lhe foras para seguir lutando com seu filho e por ele. Muitas vezes, em momentos difceis, fora a raiva que lhe dera foras para no desistir, para continuar lutando.
Nem conseguia lembrar-se direito agora de como encontrara foras para resistir naquelas primeiras semanas depois que descobrira estar grvida. Quisera continuar na escola, mas, sem ajuda, isso seria impossvel. Desesperada, voltara-se para sua famlia.
O reverendo St. John, seu pai, sempre fora muito rgido, muito severo em sua disciplina. E Catherine sempre temera o pastor carrancudo e duro, temendo contar-lhe sobre seu estado. Sabia muito bem o que seus pais pensariam quando soubessem da gravidez, mas chegara a acreditar que eles lhe dariam, pelo menos, algum apoio moral. Jamais imaginara que eles lhe fossem dar as costas.
A reao de seu pai no poderia ter sido pior. Ele a olhara daquele seu modo frio, autoritrio, e lhe dissera de que era uma desgraa para a famlia, uma vergonha para todos que a tinham amado tanto. E sua me apenas observara em silncio enquanto o marido agia; ela sempre se curvara  vontade do reverendo e Catherine no se lembrava de t-la visto enfrent-lo nem uma vez sequer.
Agora, com as recordaes vindo mais uma vez a sua mente, sentia um gosto amargo de tristeza e dissabor na boca. Seus olhos se turvaram, lembrando-se dos nomes pelos quais seu pai a chamara. E sentia raiva de si mesma por ainda deixar-se magoar, depois de tantos anos.
Fora proibida de manter contato com as duas irms mais novas, o que a fizera sofrer ainda mais.
Endireitou a espinha, recomendando a si mesma que no se deixasse abater, como fizera j tantas vezes antes. Conseguira um emprego para sustentar-se e a seu filho e conseguira terminar a faculdade, mesmo tendo de cuidar de Matthew. Conseguira fazer cursos de extenso, aperfeioar-se, fazer um mestrado, e tinha, agora, um belo emprego, que a mantinha, e a Matthew, muito bem.
Fora at o inferno, mas voltara, e estava mais forte justamente devido a isso. E no permitiria que Jake a fizesse enfraquecer agora. Se ele imaginava que aceitaria qualquer uma de suas atitudes, estava enganado. Catherine St. John era uma batalhadora.
Na manh seguinte, bem cedo, Catherine colocou a mala a seu lado, no carro, e hesitou apenas por alguns momentos antes de ligar o motor. Ligara para Douglas, na noite anterior, para informar-lhe que tinha encontrado Matthew.
Eles saam juntos j fazia algum tempo e tinham chegado a falar em casamento; Catherine achava que era seu dever e direito dele saber sobre o paradeiro do garoto.
Ele se mostrara compreensivo e solidrio e at se oferecera para seguir com ela at o aeroporto, dizendo que poderia adiar uma reunio importante que teria naquele dia. Era estranho, mas Catherine percebera que sua oferta para acompanh-la no tinha sido muito sincera, o que no a perturbara. Estava acostumada com o fato de que Douglas sempre colocava o trabalho em primeiro plano.
Admirara-o desde o primeiro instante justamente por sua dedicao ao trabalho e sabia que, como agente da Bolsa de Valores, ele tinha que ser assim. Alm do mais, no queria ser exigente. Douglas fora muito bom para ela num momento em que se encontrava muito sozinha.
Dissera a ele que, provavelmente, estaria de volta naquele mesmo dia, mas, com certeza, tarde da noite, trazendo seu filho consigo. Chegara a pensar na possibilidade de que Matthew quisesse ficar com Jake, mas tal ideia pareceu-lhe to dolorosa e absurda que tratou de afast-la de imediato. Traria seu filho consigo, sim!
Passou a dirigir rumo ao aeroporto, sentindo-se ansiosa. A ltima coisa que desejava na vida era encarar Jake depois de tantos anos e de tanto sofrimento. Mas no havia alternativa... E, enquanto dirigia, seus pensamentos voltavam ao passado, como se tudo aquilo tivesse acontecido poucas horas antes, no h anos.
Jake fora seu primeiro e nico amor. Seu pai jamais permitira que ela namorasse enquanto estava vivendo em casa e no tinha experincia nenhuma no tocante a rapazes. No estava preparada para a reao que a tomara quando conheceu Jake. E apaixonara-se por completo.
Vira-o pela primeira vez no segundo semestre da faculdade, sentindo-se atrada de pronto. Na verdade, Jake chamava a ateno de todas as garotas. Era alto, forte, e havia uma espcie de simplicidade em seus gestos que atraa as meninas.
Catherine ouvira dizer que ele vinha de uma famlia de rancheiros, o que parecia ser bvio a julgar por sua compleio fsica, pelos msculos pronunciados, pela agilidade. E seus olhos e cabelos castanho-escuros eram uma combinao perfeita para sua aparncia incrivelmente mscula e sensual.
Jake fora um bom aluno, sem tendncias s farras a que seus amigos estavam acostumados. E, mesmo sem ter ainda sido apresentada a ele formalmente, Catherine j admirava tal aspecto em sua personalidade.
Jamais imaginara que Jake tivesse olhos para ela. Mas ele se aproximara, certo dia, depois de uma das aulas, e eles andaram e conversaram bastante. Mais tarde foram a um restaurante, continuando a se conhecer melhor noite adentro. Passaram a se ver todos os dias aps esse primeiro encontro, ambos querendo cada vez mais a companhia um do outro. E, quanto mais estava com ele, mais Catherine queria estar.
Os pensamentos a estavam aborrecendo, e ela ligou o rdio para afast-los. Conseguira um vo bem cedo, logo depois de ter falado com Jake na noite anterior, e ligara para ele em seguida, para comunicar a que hora deveria esper-la.
Chegou ao aeroporto sem maiores problemas e, depois de deixar o carro no estacionamento, dirigiu-se ao balco de atendimento e, em seguida, ao porto de embarque. O vo tranquilo, mas, mesmo assim, ela se sentiu aliviada ao chegar a San Luis. Sua apreenso nada tinha a ver com a viagem de avio. Tudo em que podia pensar era alugar um carro e chegar o quanto antes ao rancho de Jake.
Ainda deixando o avio, j calculava quanto tempo levaria para dirigir at l, esperando poder seguir as explicaes de Jake com presteza e no se perder no meio do caminho. Pelo que ele dissera, no haveria maiores problemas.
Quando j estava entrando no terminal de bagagem, no pde deixar de olhar duas vezes para o homem alto e forte que esperava, recostado a um balco, pouco adiante.
Passou por ele, a certa distncia e, de repente, seu corao se apertou e todo seu corpo vibrou de uma forma que ela esquecera havia muito tempo.
O chapu preto estava um pouco inclinado sobre o rosto dele, e a cala jeans, elegante em sua rudeza, caa-lhe com perfeio nos quadris e pernas.
Era Jake... Assim que o reconheceu, Catherine sentiu as pernas fraquejarem. No imaginara que v-lo depois de tantos anos pudesse provocar tal reao em seu corpo e mente.
Ele a olhou de cima a baixo, calmo, srio. Mas seu rosto no demonstrava expresso alguma. Catherine gostaria de estar assim to calma. Mas sabia que no estava e que ele devia perceber isso, com certeza.
Como ela ainda estivesse parada, Jake desencostou-se do balco e caminhou em sua direo. Seu rosto continuava distante, frio, e o calor que havia no passado naqueles olhos castanhos parecia ter desaparecido. Chocava-a ver que Jake mudara tanto.
Ele a encarou em silncio, depois ergueu a parte da frente do chapu, mostrando o rosto por completo.
 Catherine  saudou.
No caminho at o aeroporto, ele imaginara como reagiria quando a visse depois de tanto tempo. Lembrava-se de que deveria cham-la pelo nome correto e chegara a praticar, mesmo sentindo-se ridculo com isso.
Mas sabia que no seria fcil. Mesmo sendo sempre muito calmo, imaginava que seria difcil ver-se diante dela aps tanto tempo. Ainda mais porque estava zangado com ela por ter-lhe escondido a verdade sobre o menino. No tornaria as coisas fceis para ela, j decidira. Tinha de admitir que estava tentado a faz-lo, j que a notava tensa e amedrontada, e seria fcil confort-la, dizer-lhe que tudo estava bem e em ordem.
Mas no podia agir assim. No podia ser agradvel com Catherine. Seu futuro com seu filho dependia de como lidasse com ela.
O que Catherine fizera praticamente arruinara sua reputao de bom moo. Ryder e Ashley tinham-no aconselhado a ser gentil e a deixar que Catherine se explicasse sobre ter escondido o menino dele por tantos anos.
Mas Jake sabia que um segredo podia ter srias consequncias numa famlia, at mesmo separ-la. Aprendera isso quando comeara a administrar o rancho.
E mantivera a infidelidade de seu pai em segredo, para no magoar os irmos. Jamais falara sobre o que sabia com eles, mesmo quando Ryder insistira em dizer que Catherine devia ter tido um bom motivo para agir como agira.
Por fim, ele concordara em dar a ela uma chance para se explicar, para dizer por que negara a ele a oportunidade de ver seu filho nascer e crescer.
Mas isso fora antes de v-la sair do porto de bagagens. Porque, quando a viu, a raiva e a frustrao voltaram com fora total. Estava satisfeito por conseguir esconder o que sentia. Tinha de admitir a si mesmo que uma parte de si estava ansiosa para rev-la, embora no quisesse sentir-se assim. E agora aborrecia-se com o que sentia.
No, no estava preparado para v-la, agora sabia. Notava que ela ainda era elegante, embora seu corpo estivesse mais cheio, mais opulento e voluptuoso. E no conseguia deixar de observ-la, de notar suas curvas por um pouco mais de tempo do que seria necessrio.
Lembrava-se ainda muito bem de como ela era suave, macia, de como gostava de beij-la, de toc-la... e no conseguia deixar de pensar agora em como seria repetir tal experincia...
Mas sabia que precisava afastar tais pensamentos. No gostava da maneira como seu corpo reagia  viso dela. A ltima coisa que queria era sentir algum tipo de atrao por Catherine. Isso seria pisar em territrio perigoso, pensou, e sabia que precisava manter-se afastado se queria que sua mente estivesse limpa e livre de qualquer influncia.
E alguma coisa parecia avis-lo de que precisaria de todo seu poder mental para lidar com ela...

CAPITULO III

Embora, na noite anterior, Catherine tivesse  pedido a Jake para usar seu nome correto, estava agora surpresa com a frieza que percebia nele.
Olhava-o, temerosa, sem saber ao certo de qu. E sentiu sua garganta se apertar e lgrimas virem-lhe aos olhos ao recordar o rapaz carinhoso que conhecera anos antes.
No havia nenhum trao dele no homem distante que a encarava.
	Jake...  devolveu o cumprimento, mas com amargura na voz suave.
Muitos anos tinham se passado desde que o vira pela ltima vez. Havia tantas coisas que gostaria de dizer, de saber... Queria perguntar-lhe sobre as promessas no cumpridas, sobre seu abandono, a falta de explicao para, seu distanciamento total. Mas a nica coisa que conseguiu dizer foi:
	O que... est fazendo aqui? Eu lhe disse que iria alugar um carro para buscar Matthew.
	E verdade.  Jake cruzou os braos, numa atitude que traa visivelmente sua vontade de permanecer afastado dela.
	Ento... por que veio?  Estava se tornando difcil manter uma conversa com ele.
	Achei melhor poupar-lhe o trabalho.
Ele fez meno de se aproximar mais e Catherine sentiu-se mais tensa ainda. Mas o nico movimento de Jake foi inclinar-se para pegar a mala que ela trazia, o que, estranhamente, deixou-a decepcionada. Mas, o que mais poderia esperar? Que ele a abraasse?, pensou.
No entanto, as recordaes que a tinham perseguido por toda aquela noite continuavam agitando-a. Imaginara se Jake estaria ainda parecido com o rapaz que fora. E, embora o tivesse reconhecido de imediato, pouco restara nele do jovem que ela amara tanto, e ao qual se entregara de corpo e alma.
	No  necessrio  ela explicou mais uma vez, como se imaginasse que ele no entendera seus planos.
 J tomei providncias para o aluguel do carro. E gostaria de estar de volta a Lubbock o quanto antes.
Esperou, para ver se ele concordava, mas como Jake se mantivesse em silncio, continuou, um tanto contrariada:
	Eu lhe disse isso, ontem  noite, pelo telefone...
Ele apenas a olhava, dando-lhe chance para perceber que o tempo no lhe? fora muito severo. Havia certas linhas de expresso em torno de seus olhos e boca,  claro, mas sua pele era saudvel e bronzeada.
De repente sentiu-se aborrecida com isso. Preferia que ele estivesse calvo e gordo, pensou.
Mas, ao que parecia, o trabalho duro no rancho dera-lhe vitalidade e msculos bem trabalhados, os quais Douglas passava horas seguidas na academia para tentar conseguir, sem sucesso.
	Imaginei que, se viesse busc-la, poderamos discutir a situao no caminho at o rancho  Jake explicou, ainda muito srio. E indicou-lhe o caminho, como se tudo j estivesse decidido e sem chances de ser modificado.
Catherine, porm, no se moveu. A ltima coisa que queria era mostrar a Jake que estava disposta a discutir o que seria melhor para Matthew. Assim, disse apenas, fria: 
Vim para buscar meu filho, nada mais. Ele no deveria ter vindo.
Jake voltou-se e tornou a encar-la. Seus olhos eram gelados.
	Est enganada  murmurou.  Matt  meu filho e tem todo o direito de permanecer aqui.
	Voc nem o conhece, Jake  respondeu ela, na defensiva.
	Verdade? E por que no? Olhe, podemos falar sobre isto bem aqui, para que toda a cidade fique sabendo, ou podemos ir para meu carro e conversar em particular.
Voc  quem sabe. No momento, estou pouco me importando. Mas devo avis-la de que estou a ponto de perder o controle. Pode continuar a me provocar o quanto quiser, mas no sei se vai gostar do resultado.
Ele continuava olhando-a, sem um trao de perdo nos olhos frios, e Catherine imaginou que seu corao deveria estar assim tambm: distante, duro... Se quisesse conseguir alguma coisa de Jake, teria de contemporizar, concluiu.
No queria uma briga com ele por causa de seu filho. Queria apenas ter o menino de volta e faria qualquer coisa para levar Matthew de volta para casa.
No entanto, tinha um pressentimento de que, fosse o que fosse que dissesse, Jake no gostaria.
Olhou ao redor, notando que comeavam a chamar a ateno de algumas pessoas que passavam.
	No sei...  vacilou.  Acho que prefiro ter meu prprio transporte...  E passou a caminhar, percebendo que ele a seguia. Quando chegou ao balco da locadora de automveis, ouviu Jake cham-la e voltou-se.
Por um breve momento, ele lhe pareceu aquele jovem do passado e foi como se os anos que os haviam separado no existissem mais. Entretanto, tudo o que teve de fazer foi encontrar-lhe o olhar novamente para perceber que se enganara.
Havia um aspecto rgido nele que no existia antes. Talvez, algo muito grave, muito triste, tivesse acontecido em sua vida, ela imaginou, sentindo-se mais suave em relao a Jake. Mas policiou-se depressa, sabendo que no deveria baixar a guarda para ele.
	Voc no precisa de um carro  Jake insistiu.  Eu a trarei de volta assim que estiver pronta para partir.
Ele parecia sincero, mas, mesmo assim, Catherine ainda sentia certa apreenso. No o conhecia agora. Ele no era mais o rapaz que fora, isso estava mais do que claro. E a magoara muito uma vez... No tinha por que confiar nele agora.
Imaginou que Jake poderia estar pensando a mesma coisa a seu respeito e teve um sobressalto. Jake poderia imaginar que ela no era digna de sua confiana? E por que deveria importar-se com isso?
Pegaria seu filho, iria embora e nunca mais se veriam... Talvez devessem fazer um esforo para ser, pelo menos, civilizados, pensou. Talvez devesse aceitar a carona. Afinal, eleja viera at o aeroporto e era uma boa distncia...
	Est bem, eu concordo em ir com voc, mas apenas se concordar em me trazer de volta com Matthew sem discusses.
Ele hesitou por um momento, depois assentiu.
	Tem minha palavra.
Catherine queria acreditar. Dizia a si mesma que nada tinha a temer ou a desconfiar. O caminho at o rancho no demoraria tanto assim. Podia suportar estar a ss com Jake durante o trajeto. A rpida volta ao aeroporto, em companhia de Matthew, valeria a pena. E estaria em casa com seu filho antes da meia-noite.
Ao sarem do prdio do aeroporto, Catherine notou que chovia. Uma chuva forte, acompanhada de vento.
	Espere a dentro  disse Jake, empurrando-a de leve de volta.
Ela assim fez, vendo-o correr em meio aos pingos grossos at uma caminhonete que estava estacionada no ptio. Minutos depois, Jake parava o carro diante das portas duplas, onde ela aguardava.
Mas, antes mesmo que se movesse em direo ao automvel, Jake tornou a descer, vindo busc-la para seguir a seu lado, bloqueando da melhor forma que podia os pingos que caam sobre ela.
Catherine sentiu-se aliviada quando ele fechou a porta do carro, no gostara nem um pouco do modo como seu corao reagira  proximidade dele.
Viu-o entrar, apressado e um tanto molhado, e continuou a sentir-se consciente demais da presena de Jake. Esperava que o caminho at o rancho no fosse muito longo .
Deixaram o estacionamento em silncio, enquanto Catherine passava as mos nos cabelos molhados.
	Devia ter trazido uma capa  queixou-se, quase sem perceber, mas sua observao quebrou a tenso que havia no ar.
	A chuva comeou j faz algum tempo  ele observou, a ateno na estrada.  A meteorologia avisou que vai ser assim por alguns dias.
Na verdade, a chuva comeara durante a noite. Jake no quisera admitir nem a si mesmo, mas fora buscar Catherine no aeroporto porque temera que alguma coisa acontecesse a ela, j que iria dirigir sob chuva intensa e num local que no conhecia.
No entanto, essa era uma parte de seu carter que no mudaria nunca. Estava acostumado a achar solues e, apesar de seu ressentimento, no ficaria sossegado sabendo que Catie estava enfrentando algum tipo de dificuldade para chegar ao rancho.
Procurava, agora, manter a concentrao na direo. No entanto, no conseguia controlar os pensamentos que ainda estavam em Catherine. No imaginara que o impacto de rev-la seria to forte. Preparara-se para encontrar uma mulher que teria mudado muito com o passar dos anos.
No entanto, se houvera alguma mudana, fora para melhor. Ela estava mais bonita, reconhecia. Lanou-lhe um olhar rpido, depois tornou a prestar ateno  estrada. Seu corao estava acelerado novamente. O perfume dela impregnara a cabine da caminhonete, perturbando-o.
No podia deixar-se dominar pelas lembranas de como ela era linda, suave, e de como seu perfume o envolvia no passado. Afinal, ela estava ali apenas para buscar Matthew...
Uma ponta de irritao o atingia sempre que se lembrava de que tinha um filho de doze anos. Jamais imaginara que Catherine pudesse feri-lo, mas isso acontecera. No tinha aprendido a lio com Maxine? Precisava estar preparado para tudo, aconselhava-se. Dessa vez, pensaria com a cabea e no com o corao.
Continuaram em silncio por boa parte do caminho, at que Jake reiniciou a conversa:
	O rancho fica a oeste de Crockett. No falta muito para chegarmos.
Ela apenas assentiu. Parecia claro que estava preocupada, j que retorcia os dedos, sobre o colo. Jake percebeu, mas no se importou. Afinal, a nica culpada daquela situao toda era ela prpria. No sentiria compaixo, no se deixaria atrair...
	Disse a Matthew que eu viria busc-lo?  ela perguntou, os olhos fixando-o, brilhantes.
	Ele sabe.  Jake achou melhor no revelar que tinha discutido com Matthew, em detalhes, a chegada de Catherine. E ela estava prestes a ter uma surpresa.
Jake estava dividido entre avis-la ou deixar que encarasse a deciso do menino por sua conta. Mas achou que era melhor nada dizer. No lhe devia nada, fora Catherine quem o enganara, quem ocultara o filho que ele sempre quisera ter.
	Ele nunca fez algo parecido antes  Catherine comentou, com voz trmula, passando as mos pelos braos midos.  Quero que saiba que ele  um bom garoto.
Jake apenas assentiu. Podia imaginar dezenas de coisas para dizer a Catherine, nenhuma delas muito agradvel, mas preferiu calar-se.
Ela voltou os olhos para v-lo mais uma vez, prestando ateno a seu perfil. Seu corao se apertou, dolorido. A semelhana entre ele e Matthew era grande e no poderia ter negado a verdade, mesmo que quisesse. E, quanto mais seu filho crescesse, mais parecido com o pai ficaria.
Baixou os olhos para as mos dele, que seguravam o volante. Notou que no usava aliana. Catherine no fazia a menor ideia se ele era casado, se tinha filhos... E o fato de no usar aliana no significava grande coisa. Imaginava que o trabalho num rancho era duro e, muitas vezes, perigoso. Era possvel que Jake fosse casado, mas que no gostasse de usar aliana...
	Matthew  um bom aluno  comentou, sentindo que o silncio comeava a ficar insuportvel entre ambos.
Ele lanou-lhe um olhar breve, no parecendo muito disposto a conversar.
	Parece ser um bom garoto  disse apenas.
Catherine sentia-se mal com aquela situao. Sua irritao crescia. A frieza de Jake a provocava. Era culpa dele se no conhecia o filho, pensou, indignada. Afinal, fora ele quem partira e nunca mais entrara em contato com ela.
	Olhe, sei que esta  uma situao, no mnimo, desagradvel  comeou, mas ele lanou-lhe outro olhar breve e frio, que a fez calar-se.
	"Desagradvel"  pouco  Jake rebateu, com voz profunda. No podia revelar a ela o quanto aquilo havia interferido em sua vida. Saber que tinha um filho fora uma surpresa difcil de aceitar. E saber que ela era a me fora outro choque. Porque jamais pensara que a veria novamente, ou que ela estaria to bonita... Ou, ainda, que se sentiria to inclinado a toc-la...
No gostava do modo como Catherine o afetava. No gostava do que sentia cada vez que a olhava. Queria saber mais sobre ela, obter informaes que lhe poderiam ser teis no futuro.
	Tem outros filhos?  perguntou, procurando parecer natural.
	No. Nunca me casei. Matthew  meu nico filho.
A resposta o surpreendeu. No podia acreditar que nenhum homem tivesse conseguido chegar at ela. Ento lembrou-se do que Matthew dissera, sobre Catherine estar prestes a se casar e ter fugido de casa por causa disso.
	Mas Matthew disse-me que vai se casar  observou.
	Parece que ele andou falando demais...  Ela no confirmava, nem desmentia. Douglas chegara a falar em casamento, mas no estava disposta a discutir sua vida pessoal com Jake.
	Ele disse tambm que no queria atrapalhar seus planos.
	O qu?  Catherine parecia estar genuinamente surpresa.
Jake olhou-a, notando o sofrimento em seus olhos.
	Ele me pareceu bastante aborrecido. Infeliz, mesmo  disse, sem inteno de fazer uma acusao.
	Mas... ele no me disse nada a respeito. At um ms atrs, mais ou menos, tudo me parecia perfeitamente bem.
Ela sabia que Matthew no morria de amores por Douglas, mas achou que os dois acabariam por se entender. E estava surpresa por ver que seu filho abrira o corao a um estranho, mesmo sendo ele o pai que nunca vira.
	E o que aconteceu ento?  Jake insistiu, querendo saber ao certo se Catherine tinha ou no sido uma boa me para o garoto.
	Eu no sei...  refletiu ela, sem entender.  A nica coisa que posso afirmar com certeza  que no discutimos, no brigamos... Matthew sempre foi um tanto calado, e no cheguei a notar uma mudana em seu comportamento.
	Mas alguma coisa deve ter acontecido para afet-lo tanto assim.
Ela pensava. De repente, sentiu seu peito se apertar. Como no percebera? As diferenas estavam no momento em que contara a Matthew sobre os planos de casamento de Douglas! Matthew nunca fora hostil para com ele e, quando ela lhe perguntara o que achava da possibilidade de virem a se casar, Matthew apenas dera de ombros e dissera que, para ele, estava tudo bem. E Catherine encarara tal resposta como bem tpica de um adolescente.
	Falei com ele sobre a possibilidade de vir a me casar com Douglas  revelou, aborrecida por ter que tocar em tal assunto com Jake.
	Douglas?  Ele ergueu as sobrancelhas, mas no reagiu mais do que isso.
	Ns nos conhecemos h pouco mais de um ano e achei que Matthew gostasse dele. Pelo menos, nunca demonstrou o contrrio. Na verdade, eles dois sempre me pareceram entender-se bem.
Catherine gostava de Douglas, mas tinha conscincia de no estar loucamente apaixonada por ele. No entanto, o amor a ferira muito no passado e jurara nunca mais entregar seu corao a homem algum. Ela queria que Matthew tivesse uma presena masculina na qual se espelhar. Agora, porm, percebia o quanto se enganara.
	Parece que ele demonstrou o contrrio quando fugiu de casa.
Ao ouvir o comentrio de Jake, olhou-o, aborrecida, percebendo a acusao por trs das palavras.
	Tem razo  admitiu. Havia lgrimas em seus olhos.  Devia ter percebido que Matthew no estava feliz. No... no sei como deixei passar...
A inteno de Jake no fora faz-la chorar, e no gostava de sentir pena dela.
	O que pretende fazer agora?  perguntou, prtico, procurando no se deixar envolver pela situao.
	Tenho de falar com Matthew antes de decidir qualquer coisa.  Ela sabia agora que no haveria como casar-se com Douglas. Seu filho era a pessoa mais importante em sua vida. 
	E voc?  Voltou-se para Jake.   casado?
	No. Nunca... tive muito tempo para pensar nisso.  Jack pensou em Maxine e em como ela reagira a sua impossibilidade de ter filhos.
Mais uma vez, sentiu o amargor de tudo aquilo. Durante todos aqueles anos, tivera muitas mulheres, mas nada srio. Nunca pudera oferecer a nenhuma delas mais do que alguns dias de seu tempo e ateno.
Tornou a olhar para Catie. Apesar de tudo, sentia-se grato por ter sido pai antes do acidente.
	Voc... chegou a voltar para a faculdade?  indagou ela, ainda digerindo a informao de que ele no estava casado.
	No. Sempre estive muito ocupado. Primeiro, tive de garantir casa e comida para meus irmos, depois tive de pagar as dvidas para no perder o rancho. Estava hipotecado e cheguei a pensar em vend-lo e conseguir um emprego, mas no pude faz-lo. Aquele rancho pertence a minha famlia h muito tempo.
Era como se ele tivesse sacrificado tudo pelos irmos, pensou Catherine, com certa tristeza. Era muita responsabilidade para um rapaz ainda to jovem, ponderou. E, infelizmente, ela mesma fora uma das coisas que ele sacrificara...
Imaginara ter superado o que acontecera h tanto tempo, mas as atitudes de Matthew tinham acabado por gerar uma nova onda de doloridas recordaes para Catherine.
	Aqui  Crockett  Jake informou, conforme passavam por uma pequena cidade em meio  chuva que se intensificara.  Cresceu bastante nos ltimos anos.  Ele indicou um grande supermercado, um hotel e um shopping center.
Depois tomou uma sada lateral, no fim da cidade, e informou:  Estaremos no rancho em alguns minutos.
Catherine assentiu, tentando controlar as emoes. No queria que seu filho a visse aborrecida. Naquele momento, queria apenas abra-lo com fora e nunca mais deix-lo ir embora.
	Acho que devo avis-la de que a casa  cheia  Jake informou.  Meu irmo Ryder  casado e mora no rancho com a esposa e duas filhinhas gmeas. Ashley, minha cunhada, est grvida novamente, de seis meses.
Ela percebia que a voz de Jake se suavizava ao falar na famlia e sentiu uma ponta de inveja. Seus pais a tinham excludo da famlia.
Esperara que, com  passar dos anos, eles abrandassem seu ressentimento e lhe enviassem notcias sobre suas irms, mas suas cartas nunca tinham sido respondidas. E, com o tempo, Catherine deixara de tentar manter contato com eles.
Jake tornou a lanar um olhar na direo dela, notando sua expresso. Catherine estava quieta. Imaginava como teria sido a vida dela, se teria recebido algum tipo de ajuda para criar Matthew.
Lembrava-se de que o pai dela era pastor e, embora nunca o tivesse conhecido, Catie sempre lhe dissera que era um homem duro, quase um ditador. Jake imaginava, agora, que devia ter sido difcil para ela contar aos pais sobre a gravidez.
Sentia muito por isso; se tivesse sabido a verdade, estaria ao lado dela, com certeza. Talvez Catherine soubesse disso, talvez no...
	Lembro-me de que falava muito de seus irmos  ela observou, tentando sorrir.  Tem uma irm mais nova tambm, no?
	Sim. Deke, meu irmo mais novo, est participando de um circuito de rodeios pelo pas. Minha irm, Lynn, tambm mora conosco. Est com dezenove anos agora.
Catherine lembrava-se de que ela era ainda muito pequena quando namorara Jake.
	E, de fato, sua casa  cheia...  comentou.  Tem sorte por viver junto com sua famlia.
	Tambm sempre pensei assim.
Passaram sob a porteira do rancho, na qual se via a inscrio, em ferro fundido, com a letra "M".
Catherine estava .ainda mais ansiosa por ver o filho. Jake estacionou diante da grande casa e desligou o motor, ficando, por segundos, com as mos no volante. Ento voltou-se.
	Minha famlia  a coisa mais importante para mim  revelou e, no tom de sua voz, Catherine percebeu um significado a mais. Notava, tambm, que os olhos dele pareciam acus-la. Ele continuou, muito mais srio do que antes:  Agora tenho um filho do qual nunca ouvi falar. E ele  parte de minha famlia.
Catherine engoliu em seco, entendia o recado. Agora que sabia da existncia de Matthew, Jake no ahriria mo dele.
CAPITULO IV

Chegaram ao rancho num momento oportuno. A chuva quase parara, mas ainda havia nuvens espessas e cinzentas pairando por todo o cu.
Catherine desceu do carro um tanto apressada, percebendo que Jake, depois de retirar sua mala do banco traseiro, vinha em sua direo para ajud-la a descer. No queria, nem precisava da ajuda dele, pensou.
Olhou ao redor, ignorando os esparsos pingos que ainda caam, notando o celeiro, o estbulo, a rea coberta para os veculos do rancho, e, finalmente, a grande casa central. Enquanto estavam chegando, vira o gado espalhado pelos pastos, percebendo que a propriedade era vasta.
Quando se voltou, viu que Jake a observava e comentou, tentando sorrir:
	 uma propriedade e tanto. Posso imaginar por que toda sua famlia permanece aqui para toc-la.
	, sempre h algo a ser feito  ele observou, sem expresso, como se no quisesse prosseguir no assunto.
Onde estaria Matthew?, imaginou Catherine, enquanto Jake sugeria, como se lhe tivesse adivinhado os pensamentos:
	Vamos entrar.
Ela j dera alguns passos quando o ouviu novamente:
	Cuidado!
Mas, sem perceber onde pisava, j estava escorregando na lama. Jake foi rpido em ampar-la para que no casse e, mais uma vez, Catherine viu-se junto ao corpo dele.
Sentiu-se ridcula, mas j no havia o que fazer. Jake a segurava com firmeza e todo seu corpo respondia ao toque dele com uma reao fora do normal. Seu corao disparou, sua respirao estava acelerada, e a nica vontade que sentia era a de que ele no a soltasse mais...
Jake, porm, no pareceu nada satisfeito com a situao. Afastou-se, mas sem solt-la por completo, sabendo que precisava de alguns segundos para recobrar o equilbrio totalmente.
	Obrigada  Catherine murmurou, sem coragem para encar-lo. O breve contato a emocionara e no gostara nada disso. Afastou-se de vez e reiniciou a caminhar em direo  varanda da casa.
Jake seguia a seu lado, procurando manter-se bem distante. Catherine imaginava se ele sentira o mesmo que ela, mas, num misto de tristeza e decepo, convencia a si mesma que issorseria pedir demais...
A varanda parecia ter sido construda h pouco tempo. O cheiro de madeira nova ainda era forte.
	Ashley adora este lugar  Jake comentou, quando j se encontravam diante da porta principal.  Foi criada na cidade, mas nunca vi uma pessoa adaptar-se to bem  vida no campo. Construmos a varanda para que ela e Ryder possam se balanar com as gmeas quando elas entram numa daquelas crises de choro que nada consegue controlar.
Catherine quase sorriu, percebendo a alegria dele ao falar sobre os seus. Tentava imagin-lo segurando as crianas, mas era-lhe difcil construir uma imagem gentil dele. Para com ela, Jake continuava seco e distante.
Entretanto, pouco antes, quando estivera nos braos dele, pudera perceber algo diferente, que no conseguia definir. Talvez Jake tivesse uma habilidade incrvel para ocultar suas emoes...
Poderia tentar derrubar a barreira que os separava, mas no queria aproximar-se demais de Jake. Precisava deixar aquele rancho, com seu filho, o mais breve possvel. No podia permitir que sentimentos antigos interferissem em sua vida presente.
Ele abriu a porta de tela e fez-lhe um gesto, para que entrasse primeiro. Seguindo-a, Jake tirou o chapu e passou a mo pelos cabelos.
Catherine ficou impressionada com a arrumao e o bom gosto da casa.
	Isto  muito lindo  comentou, com sinceridade.
	Ashley  muito caprichosa. Mas, como est grvida novamente, estamos pensando em contratar uma senhora para ajudar no servio domstico.  As palavras dele eram diretas, claras, mas no havia emoo alguma nelas.
	E, mas eu no gosto nada da ideia  disse uma moa que apareceu na sala, sorrindo. Era muito bonita e tinha cabelos castanhos longos e olhos muito brilhantes. No parecia estar grvida.
	Oi! Meu nome  Ashley. Sou a esposa de Ryder  ela se apresentou.  Parece que Jake conseguiu traz-la para casa em segurana...
Catherine sorriu e no poderia ter reagido de modo diferente, porque a simpatia da cunhada de Jake era contagiante.
	Esta  Catherine St. John  ele apresentou.  Me de Matt.  Seu tom era impessoal, sem a menor impresso de que, um dia, tivera um relacionamento ntimo com Catie.
	Prazer em conhec-la, Ashley. Espero que Matt no lhe tenha causado nenhum incmodo.
	Ah, s pode estar brincando! Ele me parece muito feliz aqui! Ryder saiu com ele para cavalgar, h pouco mais de uma hora. J devem estar voltando.
Catherine engoliu em seco, imediatamente preocupada.
	Matthew no sabe andar a cavalo  explicou.  Quero dizer... no muito bem. Andou algumas vezes com amigos, mas no tem muita prtica.
	Calma, Catherine!  Jake interferiu.  Ele est em segurana com Ryder.
	 claro que sim!  Ashley concordou.  Eu no  quis alarm-la. Ryder escolheu um cavalo bem manso para ele. Sabe, eu queria ter uma mquina fotogrfica comigo quando saram. Matthew estava to ansioso!
Tal comentrio trouxe uma preocupao diferente para Catherine. No esperava que Matthew ficasse no rancho tempo suficiente para experimentar qualquer dos atrativos da vida ali. A ltima coisa que queria era que seu filho gostasse do que estava vivendo no momento.
	Obrigada por cuidar dele  disse, apesar da apreenso.
	Foi um prazer  Ashley garantiu.
	Talvez queira uma xcara de caf ou alguma outra coisa enquanto espera por ele  Jake sugeriu.
	Claro! Venha comigo para a cozinha!  Ashley j a segurava pela mo, levando-a consigo.  Ns j almoamos, mas posso preparar-lhe algo, se estiver com fome.
 E, voltando-se, indagou:  Jake?
	No, no quero nada, obrigado, Ashley  ele respondeu, sorrindo de leve para a cunhada.
Catherine estava surpresa. O sorriso dele tinha mudado sua expresso fechada por completo. Seus olhos tinham um novo brilho e ele falava com Ashley com carinho. Mas, antes que ela se acostumasse  mudana, ele se voltou em sua direo e a expresso carrancuda estava l novamente.
	Catherine?  Ashley esperava por uma resposta quanto ao que ela queria comer.
	Oh, apenas um caf, por favor.
Minutos depois, Ashley servia trs canecas de caf, entregando uma delas a Catherine e indicando-lhe uma das cadeiras ao redor da mesa.
Jake permanecia em p e ela no conseguia deixar de olh-lo, vendo Ashley entregando-lhe um caf tambm. Era bvio que Jake gostava muito da cunhada.
J acomodada diante de Catherine, Ashley perguntou:
	Como estavam as estradas?
	Escorregadias.  Jake depositou a caneca sobre a pia, depois de tomar um gole.
	Vimos dois acidentes enquanto vnhamos para c  Catherine acrescentou.  Espero que no demore muito at podermos ir embora.
	Duvido que isso seja possvel  Jake comentou.
	O qu?  Catherine se alarmou.
	Acho que no vamos voltar ao aeroporto esta tarde.
	Mas... voc disse que iramos! Que nos levaria de volta ao aeroporto!
	Naquele momento, eu no sabia como estavam as estradas devido  chuva que se intensificou enquanto eu a esperava.
	A chuva? Mas... como assim?
	No notou o nvel do rio quando atravessamos a ponte Styron?
	No...  Ela estava preocupada demais com Matthew para prestar ateno em outras coisas.
	Tem chovido muito nos ltimos dias e pode ser perigoso atravessar a ponte novamente. Fizemos isso para chegar at aqui, mas no significa que devamos arriscar outra vez.
Um forte trovo interrompeu a conversa e, logo em seguida, o barulho da porta da frente sendo aberta e fechada chamou-lhes a ateno. Catherine sentiu-se mais tensa, antecipando o encontro com o filho. De fato, segundos depois, ele aparecia na cozinha, acompanhado do irmo de Jake. Estavam ambos muito molhados.
	Oi, me  Matthew saudou, indo, vacilante, em sua direo.
Ela j se levantara e abraou-o com fora. S ento chorou. No conseguiu evitar as emoes que a tomavam, numa mistura de amor intenso, alvio e medo.
Matthew correspondeu ao abrao, mas depois se afastou, parecendo embaraado. Catherine acariciou-lhe o rosto e os cabelos, murmurando:
	Fiquei to preocupada!  Queria abra-lo ainda, por muito tempo, mas percebia que Matthew no queria ser tratado como uma criana.
	Eu estou bem  disse ele.  Ryder me levou para cavalgar.  E sorriu, satisfeito, para o irmo de Jake, o qual, aparentemente, j adorava.
Jake fez as apresentaes. Catherine notou que Ryder no se parecia fisicamente com Jake, apenas na estatura. Tinha cabelos muito claros e lindos olhos azuis. Seu sorriso e seu bigode charmoso eram encantadores.
	Matt cavalgou muito bem!  exclamou ele, indo at a esposa e passando os braos sobre seus ombros.
Catherine apenas sorriu e assentiu, e um silncio pesado caiu sobre todos.
	Acho que ouvi as meninas chorarem  Ashley desculpou-se, levantando-se. Ryder, sem uma palavra, seguiu-a para fora da cozinha.
Um raio cruzou o cu e logo em seguida o estrondo forte do trovo se fez ouvir, e foi como se as paredes estremecessem. Catherine encarou o filho para dizer-lhe:
	V buscar suas coisas. Vamos partir o quanto antes.
Mas Matthew no se moveu de pronto. Segundos depois, deu um passo para trs, afastando-se dela, e aproximando-se de Jake.
	No quero ir embora  declarou, em voz baixa.
Surpresa diante de tal atitude, Catherine abriu mais os olhos e levou a mo ao peito, como se estivesse sentindo uma dor fsica.
	Matthew...
	No pode me forar, me!  E baixou os olhos, fazendo-a lembrar-se dos adolescentes com quem estava acostumada a lidar na escola.
	Matthew,  claro que vai voltar para casa comigo  ela insistiu. Afinal, seu filho tinha apenas doze anos e no era responsvel por seus atos, nem pelo que queria ou no fazer.
	Gosto daqui  declarou ele, ainda sem encar-la.
	Isso  ridculo!  exclamou Catherine, arrependendo-se de imediato, porque no queria coloc-lo na defensiva. Aquele no era o local e nem a hora apropriados para que ele se comportasse assim e a fizesse tomar uma atitude radical. Mas, agora que j comeara, precisava terminar o que tinha a dizer:  Est aqui h menos de vinte e quatro horas! No sabe nada sobre a vida num rancho!
	Posso aprender...
Ela tentava manter a calma. Olhou para Jake, que assistia a tudo, impassvel. Algo na expresso dele a assustou. Voltou a olhar para o filho e insistir:
	Olhe, sei que precisamos conversar bastante, mas acho que podemos fazer isso em casa.
	Por favor, mame, deixe-me ficar!
Catherine cerrou os olhos, rezando para que aquele pesadelo terminasse. Quando os abriu, o menino a estava encarando com olhos suplicantes.
	No quero discutir com voc sobre isso, Matthew. V buscar suas coisas.  E, ao dizer tais palavras, soube que acabara de cometer mais um erro.
	Se me levar de volta, vou fugir outra vez  o garoto ameaou.
	Matt, j chega  Jake interferiu, notando que os olhos de Catherine se enchiam de lgrimas.  Por que no vai assistir  televiso ou coisa parecida e nos deixa conversar um pouco?
Sem necessidade de ser convencido a faz-lo, Matt deixou a cozinha antes que Catherine pudesse impedi-lo. Estava pasma diante do controle que percebia que Jake tinha sobre o garoto, com apenas algumas horas em sua companhia. E, de repente, deu-se conta de que estava apreensiva com o rumo dos acontecimentos.
	No sei o que deu nele...  sussurrou.  Matthew nunca me desafiou antes...
	H muitas coisas acontecendo na vida dele no momento. Est confuso. D-lhe algum tempo.
Catherine ergueu os olhos para ele.
	No est sugerindo que eu o deixe aqui, est?  alarmou-se. E ento entendeu tudo.  Sabia que ele faria isso! Por que no me avisou?
	Da mesma forma que voc me avisou que eu seria pai? Ora, seja franca consigo mesma, Catherine. No imaginou que chegaria aqui e o levaria, fingindo que nada aconteceu, no ?  Ele se apoiou  beirada da pia, olhando-a com jeito acusador.
Ela demorou a responder:
	Eu esperava que meu filho falasse comigo! O que foi que disse a ele?
	Apenas que conversaramos a respeito e que encontraramos uma soluo.
	No h nada a solucionar! Vou levar meu filho para casa!
	Venha, vamos terminar esta conversa no escritrio.  Jake queria ter certeza de que o menino no os ouviria.
Deu as costas a Catherine e encaminhou-se pelo corredor, no lhe dando outra opo, seno segui-lo.
Catherine entrou no escritrio com passos lentos, vacilantes. Notou a mesa enorme, no centro, e o computador, numa bancada lateral. Jake indicou-lhe a poltrona, e ela se sentou como um autmato. Notou que ele permanecia em p e que teria de erguer os olhos para falar-lhe, o que parecia coloc-lo numa posio de vantagem.
	Acho que temos de esclarecer algumas coisas  Jake no deixava dvidas quanto  seriedade do que tinha em mente.
Ela assentiu e esperou pelo que viria em seguida. Tambm queria certas explicaes, como, por exemplo, a carta que recebera de seu advogado...
Houve um momento de silncio, at que Catherine no aguentou mais:
	Ento?
	Ento, o qu? Imaginei que fosse voc quem tivesse algo a dizer.
	Eu? Por que eu? Estou esperando por suas explicaes!
	Minhas explicaes?
	 claro! Foi voc quem nunca me ligou!
Jake encarou-a, pasmo.
	No sei do que est falando  disse, franco.
Catherine irritou-se.
	Eu liguei para voc, Jake! Muitas vezes! Deixei recados, mas voc nunca retornou minhas ligaes! Por que no?
Apesar de sua vontade em permanecer fria, ela se deixava envolver pelas emoes. No conseguia esquecer a dor e o desespero que sentira no passado, sozinha, apaixonada, confusa...
	No recebi recado algum!  Jake defendeu-se, dando alguns passos em sua direo. No conseguia acreditar no que estava ouvindo.
Ela se levantou, encarando-o.
	Pois eu liguei! E no foram poucas as vezes que o fiz!  Havia tambm a carta que lhe escrevera, e no conseguia esquecer a frieza com que Jake a deixara, sem uma explicao, uma palavra sequer...
	Alguns telefonemas no desculpam o fato de ter escondido Matthew de mim por tanto tempo!  Jake insistiu.
	Ora... Como ousa me dizer isso?!
	Porque  verdade!
	No, no ! E a carta que lhe enviei? O que me diz dela?
	Jamais recebi carta alguma!
Catherine negou de leve com a cabea, como se no acreditasse.
	Eu lhe pedi que ligasse  disse, com voz embargada.
 No queria contar-lhe que estava grvida por carta, droga! Se tivesse ligado, teria sabido sobre Matthew, no?
	E o fato de eu no ter ligado  uma desculpa para suas aes?  Jake inclinou-se para a frente, forando-a a dar um passo atrs e ficar junto  poltrona.
	No preciso de desculpas para minhas aes  Catherine declarou, altiva.
Depois, sentindo que a presena dele a estava incomodando, passou por Jake e foi at a escrivaninha, voltando-se para encar-lo, mas  distncia.
	Eu lhe mandei uma carta, Jake  repetiu, a voz cheia da tristeza intensa de todos aqueles anos.  E voc respondeu, dizendo que eu no deveria procur-lo novamente.
Jake meneou a cabea, sem entender.
	Isso  loucura! - acusou, em voz mais baixa.  Eu nunca lhe enviei carta alguma! Jamais faria algo assim. Catie, pelo amor de Deus, voc me conhecia melhor do que ningum!
Ela o olhava, decepcionada.
	Achei que conhecia  corrigiu, sentindo uma vontade enorme de chorar. Mas no o fez.
Jake enfiou as mos nos bolsos de trs da cala, para conter o impulso de estender os braos para Catherine.
	Ainda tem essa carta?  perguntou.
Ela engoliu em seco.
	No acredita em mim  acusou.  Mas deve se lembrar de ter pedido a seu advogado para escrev-la, no?
	Meu advogado? A carta que recebeu foi de Frank Davis?
	Como se voc no soubesse...  Ela estava irnica agora.
	Catherine, no sei nada a respeito dessa carta...
Frank Davis era advogado de meus pais e, pouco depois que voltei para casa, ele passou a receber toda a correspondncia em seu escritrio. Ficou com essa incumbncia porque eu precisava dedicar toda minha ateno e tempo  administrao do rancho.
E o rancho no estava em boas condies quando Jake chegara l. Sempre admirara seu pai, mas nunca soubera exatamente o quanto ele lutara at morrer para manter as terras e a propriedade funcionando. Houvera uma seca terrvel naquela poca e o preo do gado cara drasticamente. Seu pai trabalhara muito, durante anos, mas a nica coisa que conseguira fora afundar-se em dvidas e mais dvidas, para no perder o rancho.
A admirao que sentia por seu pai sofrera um grande golpe ao descobrir que sua existncia era fruto de um caso extra-conjugal que ele tivera. E agora, ao pensar nisso, como acontecia sempre, sentia-se tenso, magoado. Mas sabia que precisava afastar os maus sentimentos. No queria que eles o atormentassem... pelo menos, no agora.
Voltou os olhos para Catherine; ela fora at a janela e observava a chuva que caa l fora.
	Se Frank lhe escreveu  comeou, com voz pesada , no tive conhecimento sobre o fato.  Percebia que havia lgrimas no rosto dela e sentiu a garganta se apertar.
	A carta dizia que voc no me conhecia...  ela se queixou, com voz suave.
	Por que Frank faria algo assim?  ponderou ele, em voz alta. No estava acostumado a que desconfiassem de sua palavra.  Isso parece com algo que eu seria capaz de fazer?
	Sim.  A resposta veio antes mesmo que ela pudesse pensar.
	Acredita, de fato, que eu negaria conhec-la?
	Tnhamos brigado pouco antes de voc voltar para casa, ento acreditei que no quisesse me ver mais.
E, se no a queria, tambm no iria querer o beb que esperava, imaginara ela na poca. Queria o amor de Jake e no seu senso de responsabilidade falando mais alto, caso ele decidisse assumir a criana apenas como um dever. Voltou?se para ele, tentando ser prtica.
	Olhe, esta conversa no vai nos levar a lugar algum  declarou, sria e fria.  No vejo por que temos de ficar revolvendo o passado. Vim at aqui para buscar meu filho e pretendo partir com ele.
	Precisamos esclarecer tudo, sim. Frank Davis j morreu, mas sei que podemos ter acesso a seus arquivos.
Antes que Catherine pudesse responder, algum bateu  porta. Jake deu a permisso para que entrasse, e Ashley apareceu.
	Sinto interromper, mas... Matthew no est na casa. Ryder j saiu para procur-lo.
Jake olhou de relance para Catherine, notando-lhe a surpresa e a preocupao. Depois, saiu depressa do escritrio, dizendo, ao passar pela cunhada:
	Chamou os homens?  Referia-se aos trabalhadores do rancho.
	No. Achei que deveria avisar voc primeiro.
	Est bem. Deixe que eu cuido disso.
	Eu vou com voc!  Catherine precipitou-se para a porta, alcanando Jake quando ele j vestia uma capa de chuva, junto  porta principal da casa.
	No. Fique aqui. Voc no conhece o rancho e no quero ter de me preocupar com seu paradeiro tambm.
	Ora, sou adulta e sei me cuidar muito bem! E vou atrs de meu filho!  ela teimou.
	Catherine, espere aqui!
	Ele tem razo  Ashley aconselhou, aproximando-se.  Matthew pode retornar e seria bom que um de vocs estivesse aqui.
Reconhecendo que a outra estava certa, Catherine calou-se. Jake ainda falou, antes de fechar a porta atrs de si:
	Eu a avisarei assim que o encontrarmos.
	No se preocupe  Ashley consolou-a, tocando-lhe os ombros.  Matthew no pode ter ido muito longe. Vo encontr-lo.  E levou Catherine de volta  cozinha.
A cunhada de Jake fez um caf e serviu duas xcaras, oferecendo uma a Catherine e sentando-se, com a outra, diante dela.
	Procure no se preocupar  repetiu.  Tenho certeza de que vo ach-lo.
	No sei o que est acontecendo com meu filho. Ele nunca se comportou assim antes...
	Bem, s vezes, as crianas, como os adultos, no conseguem expressar muito bem seus sentimentos. Matthew deve estar num conflito muito grande...
Catherine tentou sorrir.
	Voc seria uma boa orientadora educacional  comentou, lembrando-se dos casos com os quais lidava na escola.
	 esse seu emprego?
	Sim.  estranho, no? Trabalho com isso e no consigo entender meu prprio filho...  Ela limpou as lgrimas que escorriam por seu rosto.
	Tenho certeza de que voc  uma excelente me, Catherine. Matthew  um rapazinho muito educado. Deve orgulhar-se dele.
Catherine sorriu, mas seu sorriso era triste. Gostava de pensar que sempre fora uma boa me, mas nas ltimas vinte e quatro horas, suas convices tinham se abalado. A facilidade com que Matthew se estabelecera no rancho a inquietava.
Instantes depois, a porta dos fundos se abriu e ela voltou-se para ver Jake, Matthew e Ryder entrando. Levantou-se depressa, notando que os trs estavam ensopados.
	Matthew, o que deu em voc?  perguntou logo, mas, em seguida, percebendo que poderia estar se excedendo em sua reao, procurou acalmar-se.
Foi Jake quem falou pelo filho:
	Ele estava no estbulo. Boas notcias, no? Mas a m notcia  que acajbamos de ouvir, pelo rdio, que a ponte Styron est quase submersa.  E, voltando-se diretamente para Catherine, completou:  Estamos ilhados.
CAPITULO V

Catherine entendeu logo que no havia como nem por que reclamar. Estava presa ali com seu filho e isso era um fato. Assim, resignada, aceitou a hospitalidade que lhe era oferecida e instalou-se no quarto que Ashley lhe mostrou, pensando no que Jake lhe explicara sobre a ponte.
Ainda demoraria alguns dias depois que a chuva parasse para que as guas baixassem e as equipes de reparo consertassem o que fosse necessrio na ponte.
Abriu a mala e deu graas a Deus por ter sido prevenida o suficiente para trazer uma muda de roupa e algo com que dormir. Teria de se arranjar com as roupas que trouxera durante os dias em que permanecesse no rancho.
O quarto em que se encontrava era o que fora anteriormente ocupado por Ryder, conjugado com um banheiro pequeno. Matthew fora instalado no quarto de Deke, j que este no se encontrava em casa.
Lynn, irm mais nova de Jake, viera para ver se as instalaes estavam a contento. Ela era um tanto parecida com Ryder, Catherine notou. Tinha os cabelos loiros e curtos e os mesmos olhos incrivelmente azuis do irmo, alm de ser muito bem-humorada e de ter a compleio fsica mida.
Ao que parecia, os irmos estavam muito mais dispostos a sorrir para ela do que Jake, que continuava com seus olhares duros e a expresso fria.
Catie imaginava que ele deveria culp-la pela presente crise em sua vida. Jake, ao que parecia, no estava acostumado a que a situao lhe escapasse ao controle.
Bem, no que dependesse dela, pensou, um tanto irritada, ele aprenderia que no havia como control-la. Assim que as condies do tempo melhorassem, ela partiria dali o quanto antes com seu filho, mesmo que tivesse de roubar um carro para chegar at o aeroporto.
J estava quase na hora do jantar. Lynn recusara a ajuda que ela oferecera, insistindo que estava acostumada a cuidar de tudo com Ashley, mas que Catherine seria muito bem-vinda  cozinha para conversarem.
Decidiu tomar um banho e fazer como a moa sugerira. Mesmo que a ideia fosse tentadora, no poderia simplesmente ficar dentro do quarto esperando que a chuva passasse de todo.
Abriu a porta do banheiro e deu um passo atrs, vendo que Jake estava l dentro, nu da cintura para cima. Ele tinha espuma de ba#ba espalhada pelo rosto e uma lmina de barbear na mo direita.
Atnita, Catherine notou a porta que se abria na parede oposta do banheiro, percebendo que ele servia aos dois quartos contguos.
	Sinto muito, eu no queria atrapalhar...  desculpou-se de imediato.
Jake apenas ergueu as sobrancelhas, tornando a voltar-se para o espelho.
	, estamos dividindo o banheiro  comentou, passando a lmina rapidamente pelo rosto, terminando de fazer a barba. Depois pegou uma toalha pequena e retirou o excesso de espuma que restara, dizendo:  Sinto muito. No estou acostumado a ter algum nesse quarto e acabei me esquecendo.
	No tem importncia. Eu espero.
	No, no. J terminei. H toalhas limpas aqui.  E apontou para um armrio pequeno, no canto. Depois pegou a camisa que deixara pendurada na maaneta da porta de seu quarto e vestiu-a.
Catherine apenas o observava, sem conseguir desviar a ateno dos msculos que notara assim que o surpreendera ali. E a comparao com Douglas foi inevitvel.
Lembrava-se do torso branco do outro, e de seus msculos modestos, conseguidos com grande esforo na academia. E tambm do trax limpo, bem diferente do de Jake, onde os plos produziam uma sombra em forma de tringulo invertido.
Sua mente voltou ao passado, quando podia passar as mos livremente por aquele peito, e teve de desviar o olhar, pois havia tristeza e saudade nele. Quando ergueu os olhos para o espelho, notou que Jake tambm a observava, e um calor intenso a dominou.
Sentiu que enrubescia e amaldioou-se por isso.
 Acho que precisamos terminar nossa conversa  disse ele, apoiando-se no balco de granito da pia.
	Sim...  claro...  Havia muito mais que ela gostaria de dizer-lhe, mas o ambiente restrito do banheiro no lhe parecia ser o local ideal para isso.
Jake veio em sua direo, passando o brao ao seu redor para alcanar um frasco de vidro numa prateleira, e seus corpos quase chegaram a se tocar. Catherine podia sentir o aroma agradvel e suave do sabonete que ele usara no banho, misturado ao perfume da espuma de barbear e, agora,  colnia que passava no rosto. Uma mistura que acelerou seu corao.
	Talvez depois do jantar  sugeriu, procurando manter um tom casual.  Eu j ia descer e ver se querem minha ajuda na cozinha...
Ele apenas assentiu e olhou-a por alguns segundos antes de voltar-se e, sem mais uma palavra, fechar a porta de conexo entre os quartos.
Podia ouvir os movimentos dela no banheiro, o som da gua do chuveiro... E sua mente comeou a divagar. Queria poder ignorar o modo como todo seu corpo respondia quando Catherine estava por perto.
Sabia que deveria manter-se distante, para sua prpria segurana. Nos breves instantes em que a tivera junto a si, desde que ela chegara, quisera poder abra-la e no solt-la mais. E agora estavam dividindo o mesmo banheiro. Era difcil estar to perto de algum de quem queria ficar afastado.
Tentava lembrar-se o tempo todo de que Catherine no era mais a garota inocente e vulnervel de anos atrs, mas seu corpo no aceitava tal argumento. Ela era capaz de fazer renascerem emoes que tinham ficado perdidas no tempo. Desde que Catie chegara, quisera muito confort-la, abra-la, conversar de modo amigvel com ela...
Precisavam chegar a um acordo sobre o garoto. E, gostasse ela ou no, Jake j chegara a uma concluso sobre o que seria melhor para os trs. No mnimo, Matthew iria passar o vero ali, no rancho.
Mas Catherine no precisava gostar da ideia, apenas aceit-la. E o clima fora seu aliado nisso. Precisava exa-tamente de alguns dias para tentar convenc-la de que seria melhor para o menino se ficasse.
Com o tempo, quem sabe, Matthew poderia, at, vir a morar ali... A ideia o agradava muito.
No entanto, a permanncia de Catherine no rancho por mais alguns dias seria tambm um teste para sua pacincia e, em especial, para sua libido.
Apaixonara-se por ela com facilidade no passado e tinha de ter cuidado para que isso no se repetisse.
No se culpava por estar sentindo uma certa atrao por ela, afinal, estava sem a companhia de uma mulher por algum tempo, j. Era normal que seu corpo respondesse  presena de uma bela mulher. E dizia para si mesmo que poderia ser qualquer uma e no Catie em especial.
Ela deveria ter um cuidado especial para com seu corpo, imaginou. Talvez, para agradar ao homem com quem estava no momento... O homem com quem iria se casar. A ideia o irritou e achou melhor desviar o rumo dos pensamentos.
Catherine o ferira muito ao esconder seu filho. Jamais a perdoaria. Jamais esqueceria. Como jamais esqueceria o que seu pai fizera...
Cada vez que olhava para seus irmos, imaginava o quanto eles ficariam magoados se descobrissem a verdade. No, no podia partilh-la com eles...
Catherine estava  procura de Matthew e encontrou-o na sala de tev, assistindo a um evento esportivo. Conversaram por alguns minutos sobre a aventura na qual ele se lanara e o quanto ela poderia ter sido perigosa.
Ao que parecia, o rapaz estava arrependido de t-la preocupado tanto, e ciente do que fizera. No entanto, pediu-lhe, mais uma vez, para que o deixasse ficar no rancho. Catherine argumentou, dizendo que sua vida era em Lubbock, que seus amigos estavam l, mas ele no queria deixar-se convencer.
E, quando o deixou novamente, ele tinha voltado a ficar aborrecido e carrancudo. Catherine voltara ao ponto de partida...
Foi, ento, at a cozinha, e sorriu de imediato ao ver o cercadinho com brinquedos que no tinha notado antes. Havia duas menininhas ali, brincando. Ashley e Lynn estavam ocupadas com o jantar.
As duas crianas sorriram para Catherine, vendo-a aproximar-se.
Oh, elas so lindas!  exclamou ela, passando os dedos pelas mozinhas gorduchas que seguravam as traves do cercado.
Ashley sorriu.
	So, sim  concordou, com orgulho de me.  Mas do bastante trabalho! Cuidado para no acreditar demais nesses rostinhos de anjo...
	So anjinhos, sim, mas tm vontade prpria  Lynn observou, em tom de brincadeira.
	Como todos os McCall  Ashley acrescentou.
	Como elas se chamam?  Catherine quis saber.
	Bem, Michelle est segurando o patinho amarelo e Melissa est apenas sorrindo para voc  a me explicou.
	Posso segurar uma delas?  J fazia muito tempo que Catherine no segurava um beb.
Com o consentimento de Ashley, ergueu Melissa nos braos. Jake entrou na cozinha naquele momento e, sem saber por qu, seu corao se acelerou ao ver Catherine com uma das meninas no colo.
Era como se pudesse imagin-la segurando seu filho nos braos. Engoliu em seco e, calado, cruzou a cozinha e pegou a outra criana. Beijou-a e a menininha sorriu, fazendo-o sorrir tambm.
Catherine olhava em silncio, pensando no quanto Jake perdera do crescimento de Matthew. Mas, tratou de lembrar a si mesma, tudo fora por culpa dele. Ainda assim, sentia-se triste por Jake, pois aqueles anos tinham passado e no voltariam jamais.
	O jantar vai sair logo  Ashley avisou.  Poderiam colocar as meninas nos beros para mim, por favor? Se tivermos sorte, quando nos sentarmos  mesa, elas j estaro dormindo.
Jake assentiu. O jantar, antigamente servido s seis, tinha sido mudado para as sete e s vez at mais tarde, para adaptar-se aos os horrios das crianas. Na maioria das vezes, porm, elas j estavam adormecidas quando os adultos comeavam a jantar. O problema era que acordavam muito cedo e Ashley e Ryder tinham se acostumado a recolher-se cedo tambm para que pudessem lidar com elas na manh seguinte.
Jake fez um sinal para que Catherine o seguisse, levando-a at um quartinho decorado com motivos infantis. Era estranho, mas havia tudo em dobro ali.
	Quantos quartos esta casa tem?  perguntou, surpresa por haver mais um que ainda no tinha notado.
	No o suficiente, se Ryder continuar com sua produo em srie... Quando o beb nascer, vai ficar no quarto de Ashley e Ryder por algum tempo, mas acho que vamos ter que ampliar a casa no futuro.
Colocaram os bebs nos beros e Jake beijou cada uma delas na testa. Michelle pareceu no gostar de ficar ali, mas Melissa apenas os olhava, inocente e calma.
	D um tempo para sua me e durma, est bem?  Jake disse  garotinha e saiu do quarto, esperando por Catherine.
A conversa, durante o jantar, foi simples, casual e alegre. Depois, todos levaram seus pratos para a cozinha e Lynn os mandou sair, dizendo que no precisava de tanta gente para colocar tudo na lavadora.
Ryder e Matthew foram para a sala de tev, enquanto Ashley comentava sobre sua imensa vontade de tomar um banho de imerso de duas horas.
Assim, Catherine e Jake foram deixados a ss para terminar a conversa que tinham comeado. Seguiram para o escritrio, e ele trancou a porta, para que tivessem total privacidade.
Jake sentou-se no sof, vendo que Catherine ocupava a outra extremidade, parecendo incrivelmente tensa.
	No vou mord-la  comentou, tentando deixar o clima menos pesado.
No entanto, ela no pareceu divertir-se com tais palavras.
	No quero repetir o que aconteceu esta tarde  Catherine murmurou.  Parece-me bvio que temos vises bem diferentes do que nos aconteceu anos atrs.
"O que nos aconteceu." As palavras traziam outro tipo de recordaes a Jake. No lhe era difcil lembrar de como tinham sido felizes juntos, de como fora bom amar Catie. Seu corpo reagiu de imediato, fazendo-o buscar uma posio mais confortvel no sof.
	, parece bvio  concordou apenas.
	E isso tem grandes implicaes no que est acontecendo a Matthew agora  ela prosseguiu.
	Concordo.
Houve alguns minutos de silncio, at que ela voltou a falar, agora olhando-o de frente:
	Por favor, no me enfrente neste assunto, Jake. Acho que o melhor ?para mim e para ele  voltar para casa e recomear a vida de onde paramos.
	No penso assim. Isso  o melhor para voc apenas. No est considerando o que  melhor para Matt ou para mim.
Catherine passou a lngua pelos lbios, movimento que Jake seguiu com interesse. Lembrava-se dos beijos que lhe dera no passado e do sabor de sua boca.
	No estou dizendo que no possa v-lo  ela continuou.  Mas no gosto da ideia de que Matthew comece a ver este rancho como sua casa.
	Mas esta  a casa dele, sim! Matt  meu filho. E isso o torna parte da famlia. Um dia, vai ter sua parte nesta propriedade. Alm do mais, estou conhecendo agora o  filho que eu nem sequer sabia que existia e quero intensificar nossos laos. Vai negar-nos tal oportunidade, Catherine?
	 claro que no.
	Ento, que lugar melhor do que este?
Houve mais alguns momentos de silncio, nos quais ela parecia pensar. At que Jake lhe disse o que, de fato, tinha em mente:
	Quero que Matthew passe o vero aqui.
	O vero?  ela se espantou.
	E. Ele est de frias... No h por que no possa ficar aqui. E isso ajudaria a resolver o problema de ficar ameaando fugir novamente.
	No  disse ela, depois que a ideia teve efeito em sua mente.  De modo algum. No vou deix-lo ficar aqui o vero inteiro. Est fora de questo.
Jake cerrou os dentes, mas controlou a raiva que comeou a aparecer em seu corao. Precisava tentar argumentar com Catherine.
	Pense bem, Catie. Ele no est aceitando a ideia de voltar com voc. Que mal faria se ficasse aqui?
De repente, ela sentiu um aperto muito grande na garganta e as lgrimas inundaram seus olhos.
	Oh, Jake...  sussurrou.
Num gesto instintivo, ele se aproximou, cobrindo a mo dela com a sua.
	O que houve?  indagou, percebendo que algo estava errado. Esquecia-se de que estavam falando de seu filho. E, por uma frao de segundo, sentiu uma vontade imensa de abra-la. Mas afastou tal ideia depressa.
Catherine passou a mo livre pelos cabelos, confessando:
	Tenho medo... E se ele gostar de ficar aqui? E se nunca mais quiser voltar a morar comigo?
	Acho que podemos deixar esse problema para mais tarde, caso ele, de fato, surja.
	 fcil para voc falar assim. No tem nada a perder.
	Bem, j perdi doze anos. No pretendo perder nem mais um dia  ele retomou o tom austero. Levantou-se, soltando-lhe a mo e completando:  Pode concordar com o que propus e evitar mais problemas para ns dois, ou ento terei de arranjar um advogado e brigar por meus direitos na justia.
Catherine levantou-se de pronto.
	No me ameace!  avisou, irritada.
	No me force a faz-lo. Porque no vou perder, pode ter certeza.
	Droga!
	Droga, digo eu!  revidou ele e, sem vacilar, beijou-a.
Foi uma tolice, reconheceu logo, enquanto a apertava contra si, para no lhe dar chance de rejeit-lo. De fato, Catherine resistiu por alguns momentos, as mos firmes no peito dele, tentando afast-lo.
Mas Jake no desistiu e intensificou o beijo. Estava envolvido numa onda de paixo avassaladora e tinha em mente a lembrana da primeira vez que fizera amor com ela. Ela era virgem e no sabia ao certo o que esperar, mas estava ansiosa por aprender e por agrad-lo.
Agora sabia que, numa daquelas inmeras vezes em que se tinham amado, Catherine gerara um filho seu. Tal ideia trouxe-o de volta  realidade e  discusso que estavam tendo.
Afastou-se, olhando-a, muito srio. Ela passou a lngua pelos lbios e isso quase o levou  loucura. Mas controlou-se, murmurando:
	Isto no muda nada.  Estava zangado por ter fraquejado e, mais ainda, por ainda sentir vontade de beij-la.
Catherine o olhava, parecendo confusa.
	Pense no que lhe disse  ele avisou, antes de dar-lhe as costas e sair do escritrio.
Catherine estava furiosa consigo mesma. No entendia como pudera permitir que Jake a tocasse. Talvez ele estivesse tentando seduzi-la, imaginou, para colocar em prtica seu plano de ficar com o filho.
Mas reconhecia que Jake no estava satisfeito com o beijo, assim como ela prpria. Fora o calor do momento que os levara a fazer aquela loucura. Primeiro, estavam furiosos um com o outro e, em seguida, aquilo acontecera... Mas no significava que aconteceria outra vez.
Ela no permitiria. Mesmo sentindo que as recordaes voltavam, assombrando-a com a felicidade que tinham vivido no passado.
Saiu do escritrio pouco depois, seguindo para seu quarto, sem encontrar Jake no caminho. Precisava pensar. No deixaria que aquele beijo tivesse um significado maior. Estava presa ali, com um ultimato confrontando-a. E, como se no bastasse Matthew implorando-lhe para ficar, agora o pai dele lhe dizia que no tinha outra alternativa...
Interrompeu seu caminho para procurar pelo filho. Mesmo sentindo-o distante, deu-lhe um beijo de boa-noite e disse-lhe que conversariam no dia seguinte. Naquele momento, no tinha ideia do que poderia lhe dizer. Precisava lidar com Jake primeiro.
Fechou a porta do quarto, sentindo-se exausta. No sabia onde ele se encontrava, ento encostou o ouvido  porta do banheiro, para tentar perceber se ele estava ali. O silncio total mostrou-lhe que podia abrir a porta sem constrangimento.
Com rapidez, trancou ambas as portas e preparou-se para dormir, lavando o rosto e escovando os dentes. Depois abriu a porta do banheiro que dava para o quarto de Jake e voltou para o seu.
Enfiou-se sob as cobertas, aborrecida. Sabia que Jake tinha todas as cartas daquele jogo. No fazia ideia do que um juiz poderia decidir se fossem levados ao tribunal. Na maioria das vezes, os juizes favoreciam as mes, mas o fato de Jake no ter sabido sobre a existncia do filho e o de Matthew querer ficar com ele no rancho poderiam depor contra ela.
Isso para no mencionar o poder econmico que Jake tinha para enfrent-la na justia. Acabaria por perder tudo enquanto tentava ficar com seu filho. E, para Ca-therine, nada era mais importante do que Matthew.
Virou-se na cama, massageando as tmporas. Os ltimos dias tinham sido massacrantes. No estava mais ouvindo a chuva e pedia a Deus que ela tivesse parado de vez. Talvez pudesse enganar Jake, fingir que aceitava sua sugesto e pegar Matthew, partindo dali sem que ele soubesse.
Acordou cedo, como se alguma coisa em seu subconsciente a estivesse chamando. O silncio era total e ficou assim, quieta, tentando imaginar o que poderia estar preocupando-a logo ao despertar.
No estava chovendo, notou depressa e, pulando da cama, correu at a?janela. Estava com sorte. O sol comeava a brilhar e no havia nuvens no cu azul. Sabia que no poderia partir naquele mesmo dia, mas poderia, talvez, no dia seguinte, e isso a animava.
Prestou ateno, junto  porta do banheiro, para saber se Jake no estava l, e abriu-a. Trancou-se l e tirou a camisola, pronta para um banho. Tomou-o depressa, secou os cabelos, maquiou-se com suavidade e, depois de destrancar a porta do lado dele, voltou ao quarto para.
Vestiu a camiseta, o jeans e calou os tnis, depois seguiu pelo corredor at a cozinha.
A casa parecia deserta, mas logo viu Ashley e as meninas na sala de tev. Os bebs estavam no cho, uma rolando sobre si mesma enquanto a outra engatinhava em direo  porta. Catherine pegou-a nos braos antes que sasse e cumprimentou Ashley:
	Bom dia!
	Obrigada por segurar Michelle  ela agradeceu.
	No h de qu. Diga, como consegue identific-las?
	No sei ao certo. Acho que por suas personalidades, acima de tudo. Michelle  mais exigente. Ah, tambm achamos que Michelle  destra e Melissa  canhota.
	Verdade?
	Li em algum lugar que  comum irmos gmeos terem diferenas assim... Simtricas, parece. Quer tomar caf? Fiz um pouco, est na cafeteira.  Ashley levantou-se e pegou a filha dos braos de Catherine, liberando-a para tomar o desjejum.
	Obrigada. Onde esto todos?  Na verdade, ela estava interessada no paradeiro do filho.
	A vida num rancho comea bem cedo. Todos j comeram e saram. Lynn est trabalhando com o capataz, Russ Logan, no curral. Jake e Ryder tambm j saram, para cuidar de seus afazeres comuns. Quanto a Matthew, est no curral, com Lynn e Russ.
	Certo... bem, acho que vou tomar o caf. Quer que eu lhe traga um pouco?
	No, obrigada. Mas vou com voc para conversarmos, est bem?
	Claro! Quer que eu leve uma das meninas?
	Leve Melissa, ento.
J na cozinha, colocaram as crianas no cercado, vendo-as seguir direto para os brinquedinhos, j que era a primeira vez nesse dia que os viam.
Catherine serviu-se de caf e foi para a mesa, onde Ashley a esperava.
	Quando acha que a ponte estar em boas condies?
 perguntou, assim que se sentou.
	Um ou dois dias, se o tempo continuar bom. Est ansiosa para voltar para casa, no?
	Estou, sim.
	Sabe, no quero ser intrometida, mas... voc e Jake chegaram a um acordo sobre o que fazer a respeito de Matthew? Jake me contou o que lhe props.
	Ah, contou?  Catherine tinha certeza de que ele no esclarecera sobre o detalhe de ter exigido a permanncia do filho no rancho.
	Ele falou a respeito esta manh, antes de sair para o trabalho, mas no o fez diante de Matthew, pode ficar  tranquila. Sabe, Jake estava to calado, to srio... Vocs brigaram?
	Bem, acho que sim.
	Jake est perturbado com tudo que aconteceu. Normalmente  bem-humorado, tem gnio bom.
	No consigo v-lo assim...
	Jake no tem tido uma vida muito fcil, Catherine. No me leve a mal, sim? No sei o que houve entre vocs no passado e sei que no deve ter sido fcil para voc. Mas Jake voltou para casa e manteve sua famlia unida. Acho que, antes de saber sobre Matthew, ele se sentia triste por no ter se casado, no ter tido filhos...
	E por que no o fez?
Ashley inclinou a cabea para o lado, graciosa.
	 um assunto pessoal  comentou.  Acho que ter de perguntar a ele. Talvez, ento, entenda por que ele quer tanto que Matthew fique aqui por uns tempos.
Catherine tomou seu caf em silncio, imaginando se haveria ali algum segredo mais srio. Algo que o fizesse chegar a amea-la para poder ficar com o filho por algum tempo.
Depois do caf, decidiu sair um pouco e foi at o curral, encontrando Matthew l.
Passou os braos sobre os ombros dele, num abrao suave, e ficou ao seu lado. Ele se mantinha calado, desconfiado quanto s intenes dela. No entanto, dentro de um ou dois dias, no teria outra opo alm de segui-la, Catherine ponderou, satisfeita.
Partiria dali com o filho e ningum seria capaz de det-la.

CAPTULO VI

Parada, ao lado da cama, com a mala a seus ps, Catherine olhava-o, procurando parecer normal.
	Para dizer a verdade, no  mentiu. Eu ia perguntar-lhe, isso sim, se acha que a ponte j estar aberta hoje, j que parou de chover.
	 possvel.  Era bvio que no acreditava nela. Deixou que alguns segundos se passassem, depois acrescentou:  Acho que fui um tanto rude com voc na outra noite.  Mas no parecia muito  vontade em admitir.
 Acho que lhe devo um pedido de desculpas.
Catherine no sabia ao certo como entender aquelas palavras.
	Por me ameaar ou por me beijar?  perguntou.
Jake ergueu mais o rosto.
	Por ter gritado com voc  explicou.  Estive pensando e gostaria que considerasse mais uma coisa...
	Sim?
	Quero que Matt fique aqui durante o vero e voc parece estar com receio de que, se ele ficar, no queira mais voltar para casa... Certo?
Ela assentiu.
	Bem, por que no fica no rancho durante o vero tambm?  ele ofereceu, deixando-a mais surpresa do que nunca.
	Ficaria perto dele e, assim, veria o que est acontecendo e saberia que eu no vou tentar coloc-lo contra voc.
Catherine tinha os lbios entreabertos, completamente atnita.
	Ficar aqui... No, Jake. No daria certo.
No fora fcil para ele fazer tal oferta. T-la prxima a si por tanto tempo seria, no mnimo, muito difcil. Admitia sua atrao por Catherine e sabia que, mesmo se no a tivesse conhecido no passado, estaria interessado agora.
A presena dela no rancho iria testar seu autocontrole at o limite. Mas queria que seu filho ficasse ali e no pretendia levar o caso  justia. No seria justo para com o garoto.
	A meu ver, minha oferta faz sentido  insistiu. 	Voc saberia exatamente o que estaria acontecendo com Matt.
	Entendo o que quer dizer, Jake, e no quero colocar-me como uma pessoa difcil, mas... no posso ficar longe de casa por tanto tempo.
	Por causa do homem com quem est envolvida? No acha que deveria considerar seu filho em primeiro lugar?
	Douglas no tem nada a ver com isso.  E era verdade, j que, at agora, no ligara para ele e nem chegara a pensar em Douglas. Sabia muito bem que no o amava e fora tola em considerar a possibilidade de um casamento, em especial pelas consequncias que tal conjectura acabara por provocar.
	Bem, eu acho que ele tem muito a ver com o caso, se o est considerando mais do que a Matt.
	No estou fazendo isso, Jake. E jamais o faria.
Tal afirmao revelava muito do relacionamento que ela tinha com Douglas. Jake sabia que, se ela, de fato, amasse o sujeito, estaria dividida entre ele e o filho. Mas tambm sabia que ela no telefonara para ele desde que chegara ao rancho.
	Qual  o problema, ento?  quis saber.  Precisa trabalhar?
	No, no  isso. Sempre tive meus veres livres para poder ficar com Matthew.
	Muito bem, ento, onde est a dificuldade?
	No sei ao certo... A ideia me parece um tanto... estranha.
	Por qu? Por causa daquele beijo?
	 que, quando me beijou...
	Voc tambm me beijou. E gostou.
Catherine engoliu em seco. Como negar? Sentiu-se enrubescer e tentou defender-se:
	Isso no quer dizer que eu quisesse ser beijada.
	Ento, se isso a faz sentir-se melhor, prometo no toc-la enquanto estiver por aqui.
A ideia deveria agrad-la, mas no era isso que acontecia. Era estranho ouvi-lo dizer que podia ligar e desligar seus sentimentos daquela forma. Para ela, era difcil estar perto de Jake sem sentir-se atrada e isso acontecia o tempo todo.
Mas ele a ferira muito no passado e no queria ser magoada novamente.
	Acho que seria melhor eu conversar com Matthew sobre isso primeiro  concluiu.  Se eu concordar, e isso ser bem difcil de acontecer, quando acha que poderia levar-nos ao aeroporto?
	Tenho trabalho aqui no rancho pela manh, mas estarei livre  tarde.
	No haver problemas para passarmos pela ponte?
	Creio que no. Tenho um pequeno avio. Posso lev-los at sua casa.
Catherine entreabriu os lbios, incrdula.
	Voc o qu?! Quer dizer que poderia ter-nos levado antes?
	No, no  isso que estou dizendo...
	Vai ficar a, diante de mim, dizendo que no poderia t-lo feito, se quisesse?  Ela estava furiosa.
	Bem, eu no sabia ao certo quais eram as condies do tempo. No  porque a tempestade parou por aqui que haja teto para voarmos... Mas liguei para uma estao meteorolgica h poucos minutos.
	Sei... E no pde fazer isso ontem... Olhe, acho melhor sair daqui antes que eu fique ainda mais zangada!
	Catie...
	Saia, por favor!
Sem conseguir manter-se srio, ele ameaou um sorriso e afastou-se em direo  porta.
	Avise-me quando estiver pronta para ir  disse, antes de sair.
Catherine foi at a porta e fechou-a, com raiva. No conseguia acreditar no que ouvira. O tempo todo, ele soubera que havia uma sada e, mesmo assim, a mantivera presa no rancho. A ela e a Matthew.
Pensou em procurar pelo filho e sair dali s escondidas, como planejara antes. Estava to irritada com o que Jake lhe fizera que mal conseguia raciocinar direito. Perdera a confiana nele!
Se permitisse que Matthew ficasse no rancho, mas no ficasse com ele, como poderia sentir-se segura de que Jake no colocaria o menino contra ela? Como poderia confiar em qualquer coisa que viesse dele dali para a frente?
Se, ao menos, seu relacionamento com Matthew fosse melhor no momento... Devia ter percebido que o garoto estava infeliz. E devia ter-lhe contado toda a verdade sobre seu pai h muito tempo.
Mas tinha conscincia de que aquela situao no era culpa sua. Jake era o grande culpado. E continuaria pensando assim para poder usar esse argumento sempre que necessrio quando tivesse de enfrent-lo. Porque Jake acabara de provar-lhe, mais uma vez, que no merecia sua confiana. 
A conversa com Matthew foi curta. O menino aceitou logo a ideia de ficar no rancho naquele vero e mostrou-se contente com a deciso de Catherine ficar tambm. Ele estava eufrico, na verdade, com a notcia. Chegou a implorar a Catherine para fazer suas malas em seu lugar, pois no queria sair dali.
Ela acabou concordando, feliz em agradar o filho. No momento, no lhe passara pela cabea a ideia de que, ao voltar para fazer as malas e tomar as providncias necessrias para uma viagem to longa, teria de ficar uns dois dias em companhia de Jake.
Chegaram  tarde em Lubbock e Jake deixou o pequeno avio num hangar. Catherine insistiu que no havia necessidade de que ficasse, achava que ele estava ali para garantir que ela voltasse em sua companhia e isso a aborrecia. Havia muitas malas a fazer e ela tentou mais uma vez:
	Posso alugar uma van para levar tudo.
Ele apenas a olhou, muito srio. Estava determinado a ficar e nada o faria mudar de ideia. Ajudou-a a sair do avio e notou que Catherine tremia.
	Est com frio?  perguntou.
	Um pouco.
De fato, a chuva fizera o clima esfriar bastante. Jake no vacilou em retirar a jaqueta e coloc-la sobre os ombros dela.
	Obrigada  Catherine murmurou, sentindo a fragrncia da colnia que ele usava e que ficava em suas roupas.
Jake retirou duas malas do avio, uma dela, outra sua. Depois explicou:
	Vai levar apenas alguns minutos at eu alugar um carro.
	No h necessidade. O meu ficou no estacionamento do aeroporto.
	Seu carro  grande?
	No...
Jake sorriu brevemente.
	Vamos precisar de um com bastante espao para transportar as caixas e as outras malas que quiser trazer. No quero ter que fazer inmeras viagens para l e para c num carro pequeno.
	Eu no vou levar tantas coisas assim...
	No? Nunca vi uma mulher levar pouca bagagem. Vocs sempre exageram.
Ela respirou fundo. Era bvio que no o convenceria. E, assim que Jake alugou um utilitrio, seguiram para sua casa. Ele guiava, seguindo-a de perto e, em vinte minutos, estacionava logo atrs do carro dela, na entrada lateral da casa.
Catherine saiu de seu carro sentindo as pernas trmulas diante da possibilidade de ver-se a ss com Jake em sua casa. Ele a seguiu, em silncio, e, quando entraram na casa pequena e bem-arrumada, passou os olhos ao redor, notando pequenos detalhes.
Para Catherine, era estranho t-lo ali, em seu mundo. Passara tantos anos imaginando se o veria novamente e agora ali estava Jake, a seu lado, em sua casa... E ele era to alto que parecia preencher todo o espao da pequena sala de estar...
	Quer um caf?  indagou ela, acendendo algumas luzes e dirigindo-se  cozinha.  Deve estar com fome... Nem sei ao certo o que h na despensa...  E foi at a geladeira, abrindo-a para saber o que poderia preparar.
	Que tal se eu for buscar uns hambrgueres? Tambm posso tentar arranjar algumas caixas.
	Boa ideia.  Ela imaginava que seria um alvio t-lo fora da casa, mesmo que por apenas algum tempo...
Jake no voltara a Lubbock desde o dia em que deixara a faculdade, e certas recordaes o assaltaram agora. Enquanto estavam no rancho, era como se fosse mais fcil evitar os pensamentos que o remetiam de volta ao passado, mas, ali...
Ainda se sentia aborrecido com o fato de Catherine ter-lhe escondido a verdade sobre Matt e queria esclarecer o que acontecera com a carta que ela mencionara.
Reconhecia a atrao que Catherine ainda exercia sobre ele e sentia-se um tolo por no conseguir deixar de olh-la, em especial agora, quando estava inclinada de forma to graciosa diante da geladeira. Chegou a sentir dificuldade em controlar-se para no toc-la e pux-la para si.
De repente, ela se voltou, surpreendendo-lhe o olhar. Pareceu ficar embaraada e passou a agir com certa rapidez, como se precisasse fazer alguma coisa para man-ter-se ocupada e no pensar...
	Vou lhe mostrar onde poder dormir esta noite  disse, ansiosa. E seguiu pela escada, com Jake logo atrs, at o segundo andar da casa. Sentia-se aliviada por lembrar-se de que, ali, havia um banheiro para cada quarto e, assim, no teria mais que dividir um com ele.
Abriu a porta de seu prprio quarto e explicou:
	Acho que aqui estar mais confortvel. A cama  maior.
	Mas... este  seu quarto...
	Sim...
	No, no vou dormir em sua cama!  Jake recusou-se. Jamais poderia arriscar tanto. Como poderia partilhar uma cama com Catie, sentindo,o que sentia?  Por que no fico no quato de Matt?
Catherine percebeu que ele interpretara sua sugesto de maneira errada. Por um instante hesitou, mas no se deu ao trabalho de explicar que no lhe passara pela cabea a ideia de dormirem juntos. Foi at o quarto de Matthew e abriu a porta, contente por estar tudo em ordem, coisa que raramente acontecia naquele quarto.
	H um banheiro contguo  explicou, sem necessidade.  E h um lavabo, no andar de baixo, ao lado da cozinha. Vou buscar lenis limpos.  E apressou-se em sair, para voltar, pouco depois, trazendo-os.
Inclinou-se para arrumar a cama, mais uma vez deixando para Jake uma bela viso de seu corpo. Ele cerrou os dentes, achando a viso insuportavelmente atraente.
	Deixe que eu fao isso  ofereceu-se, retirando os lenis das mos dela, para livrar-se do tormento.
Catherine afastou-se de pronto. Queria evitar todo e qualquer contato com o corpo dele.
	Est bem. Vou... ajeitar outras coisas  disse, sem graa, apressando-se em sair.
Minutos depois, em seu quarto, ela ouviu a porta da frente sendo fechada e respirou, aliviada. Era bom ter alguns minutos de solido, sem a presena perturbadora de Jake. Comeava a perceber como seria difcil estar perto dele. Ali, ou no rancho.
Respirou fundo e ento desceu para a sala. Imaginou que aquele seria um bom momento para ligar para Douglas. Antes, porm, acionou a secretria eletrnica. Havia duas mensagens, uma de uma vizinha e outra, de uma colega de trabalho.
Douglas no ligara. Isso, porm, no a surpreendeu. Discou o nmero dele, imaginando se estaria em casa. Rezava para que estivesse. No queria discutir o assunto com ele diante de Jake.
Surpreendeu-se, porm, quando ele atendeu no primeiro toque.
	Oi,  Catherine  ela informou, percebendo que ele estava com pressa.
	Ol! Puxa, eu estava imaginando quando iria voltar. Que sorte a sua em me pegar aqui. Eu estava prestes a sair...
		Acabei de chegar. Sinto por no ter ligado antes. Voc... tem alguns minutos? Sinto ter que falar-lhe isto agora, pelo telefone, mas no vou dispor de mais tempo.  E explicou-lhe, em breves palavras, o que acontecera nos ltimos dias.  Sinto dar-lhe a notcia dessa maneira, Douglas, mas vou passar o vero fora, com Matthew. Tenho que colocar meu filho em primeiro lugar, voc sabe...
Conversaram ainda por alguns minutos, e ele no se mostrou aborrecido nem surpreso. Ao que parecia, estavam dispostos a conviver com a falta de amor que existia entre ambos.
De repente, ela ouviu Jake pigarrear a poucos metros de distncia, e teve um sobressalto. No o ouvira chegar. Continuou falando, em voz baixa, mas tinha a impresso de que Jake ouvira parte da conversa. Mesmo assim, nada lhe disse e ignorou sua presena.
Desligou pouco depois e ambos comeram o lanche que ele trouxe em silncio, enquanto arrumavam as malas. Catherine sugerira que ele escolhesse o que achava que seria interessante levar para Matthew enquanto ela cuidava de suas prprias coisas.
Horas depois, ela estava exausta. Jake lhe fizera muita perguntas e tinham chegado  concluso de que Matthew gostaria de ter seu computador e seu aparelho de som no rancho. J era quase meia-noite quando ela decidiu parar. J arrumara tudo que era possvel e, se havia mais alguma coisa de que ela ou Matthew precisassem, teria de comprar por l.
Desceu para a sala e encontrou Jake sentado no sof, as longas pernas estendidas para a frente.
Assim que a viu, ele sorriu de leve, fazendo com que seu corao quase parasse de bater. Catherine voltou-se de imediato para a cozinha, oferecendo:
	Quer um refrigerante, ou um caf?
	Um copo de gua seria timo  ele aceitou. Estava cansado, queria tomar um banho e dormir, e a ltima coisa de que precisava era de cafena, para atrapalhar-lhe o sono.
Pensava nas horas em que tinham estado ali, to prximos, nas inmeras vezes que seus caminhos tinham se cruzado pela casa, na vontade que sentira de toc-la, beij-la...
	H quanto tempo mora aqui?  perguntou, quando ela voltou e entregou-lhe o copo de gua.
Ela sentou-se numa cadeira de balano prxima.
	Dois anos. Levou algum tempo at que eu pudesse guardar dinheiro para comprar uma casa.  Sentia-se orgulhosa do que conquistara, ainda mais porque a batalha fora muito dura.
Jake franziu as sobrancelhas, vendo o lbum de fotografias que estava embaixo da mesa de centro. Inclinou-se e pegou-o, indagando:
	H fotos de Matt aqui?
	Sim.
Num gesto automtico, ela se levantou e foi sentar-se a seu lado, sorrindo ao apontar para uma fotografia que mostrava Matthew ainda beb. Foram minutos de camaradagem, nos quais ela comentou coisas interessantes sobre cada fotografia, partilhando com Jake, ainda que tardiamente, a infncia de seu filho.
A proximidade de Catie tirava a concentrao que Jake procurava manter no que via. Estava consciente demais do calor do corpo dela, de seu perfume, sua voz doce, suave... E, de repente, a vontade quase irracional que sentiu de beij-la foi mais forte do que tudo.
Voltou-se, vendo que estavam a centmetros de distncia, e no esperou por mais nada. Cobriu-lhe a boca com a sua, num beijo ardente, denso.
Catherine no se afastou. Ao contrrio, passou os braos pelo pescoo dele, aceitando o beijo por completo.
	Oh, Jake...  murmurou, num intervalo entre os beijos que se repetiam nos lbios de ambos.  Isto no deveria estar acontecendo...
	No  ele concordou, mas no se afastou.
E, ento, foi como se um fogo forte demais os atingisse, levando-os a um desejo sem limites, sem Controle.
	Quero voc, Catie  Jake sussurrou, completamente tomado pela paixo.  Agora...
Era como se o passado estivesse de volta, com toda sua magia, encanto e felicidade. Catherine ainda teve uma ltima reao de controle, colocando as mos sobre o peito dele, tentando afast-lo, parar com aquela insanidade, mas era tarde demais. No queria, de fato, que nada parasse...
Em algum lugar remoto de sua mente, a ideia de que o que estavam fazendo no podia acontecer ficou perdida, passada para trs, engolida pelo desejo de se entregar, de reviver o amor do passado.
Apegou-se a Jake, pensando nele apenas como o homem que amara, que amava ainda. O nico homem de sua vida.
Tudo ao redor deixou de existir, restando apenas o calor insano que os unia, que tirava-lhes todo o contato com a realidade.
Escorregaram para o tapete felpudo, abraados, beijando-se com loucura, suas mos buscando livrar um ao outro das roupas, empecilhos  consumao de seu amor.
Suas respiraes se confundiam, aceleradas. O ritmo de seus coraes era um s, o suor em seus corpos aquecia-os. E seu mundo, um s agora, era real, trrido, sensual. No havia mais presente ou passado, apenas a deliciosa sensao de que estavam partilhando prazer agora, como antigamente...
CAPTULO VII

Jake sentia seu corpo pesado. Fazer amor com Catie o esgotara. Deixara de proteger-se contra ela para viver intensamente os sentimentos que o angustiavam desde que a revira.
Abriu os olhos devagar e, de repente, notou o lbum aberto sobre o cho. Ele exibia a foto de Catie com outro homem e Matt estava com eles, num parque. O menino devia ter uns oito anos ento e usava um uniforme de beisebol.
Aquela imagem trouxe de volta a Jake toda a angstia de antes. Por causa de Catie, perdera todas as alegrias da infncia de seu filho. Como poderia perdo-la? Recusava-se a pensar que o fato de v-la junto a outro homem fosse o verdadeiro motivo de sua raiva momentnea.
Aborrecido, levantou-se depressa e vestiu-se. Devia ter sido ele a ensinar Matt a jogar beisebol, a andar de bicicleta, a aprender matemtica... Estava enfurecido com a presena daquele estranho na vida deles.
No encarava Catie, mas notava que ela tambm se vestia, em silncio. No se comunicavam.
Jake arrependia-se por deixado que as coisas fossem to longe entre ambos. E irritava-se ainda mais com a facilidade com que deixara Catie entrar em sua vida novamente.
Estava, porm, satisfeito por no ter partilhado com ela toda sua intimidade. Como, por exemplo, revelar-lhe sobre sua incapacidade de gerar filhos. No queria que ela soubesse, no queria confiar em Catie, e, acima de tudo, no queria dar-lhe uma arma que pudesse usar contra ele.
	Sinto muito  disse, por fim.
	Esquea.  Ela estava muito aborrecida.  Coisas assim acontecem e acho melhor colocarmos uma pedra sobre tudo.
Jake cerrou os dentes. Do modo como parecia estar, Catie poderia no querer mais ir para o rancho e, se assim fosse, ele sabia que a culpa era toda sua.
Assentiu, ento, dizendo simplesmente:
	Bem, acho que a noite acabou. Vamos partir pela manh e acho melhor dormirmos, a no ser que no tenha terminado de arrumar o que pretende levar.
	No, no terminei ainda.
Tais palavras deixaram-no mais aliviado. Ela ainda pensava em ir para o rancho. Precisava ser mais cuidadoso dali em diante. ?'
E, sem olhar para trs, subiu as escadas, deixando-a sozinha.
Ela o olhou at v-lo desaparecer no alto da escada. No queria demonstrar o quanto estava magoada. Somente quando o ouviu fechar a porta do quarto, foi que deu vazo a seus sentimentos, abraando o prprio corpo e chorando baixinho.
Tinha sido uma tola por deixar-se levar novamente. Era como se tivesse voltado no tempo, imaginou, quando seus corpos se uniam com tanta perfeio...
Seu olhar foi at o lbum e compreendeu tudo de imediato. Aquela foto fora o suficiente para afastar Jake. Ele ainda a culpava, embora a culpa fosse dele por nunca ter conhecido o filho.
Catherine passou a mo pelo rosto e levantou-se devagar, apagando as luzes. No dia seguinte mostraria a Jake a carta que recebera do advogado, para provar-lhe que tentara entrar em contato no passado. Seguiu at seu quarto e, entrando no banheiro, tomou um longo banho.
Depois, entre os lenis macios de sua cama, demorou a dormir, pensando em Jake, logo ali, ao lado...
Na manh seguinte, a volta ao aeroporto foi carregada de tenso. Pouco tinham se falado durante os preparativos para partir e Jake nem quisera tomar o desjejum.
Catherine cuidara para que sua casa ficasse em ordem enquanto estivesse fora, e conformara-se com a distncia que havia agora entre ambos.
No momento do embarque, quando ele a ajudou a entrar no avio, tocando-lhe de leve a cintura, ela sentiu as pernas fraquejarem. Ao que parecia, no aprenderia nunca, pensou.
Teria voltado atrs naquela viagem, caso no tivesse prometido a Matthew que passariam o vero no rancho.
Seria difcil conviver com Jake durante tanto tempo, mas ele, com certeza, devia ter muitos afazeres e isso lhes daria o distanciamento necessrio, ponderava. Alm disso, sempre haveria outras pessoas por perto, j que a casa estava sempre cheia.
Depois do vero, esperava que Jake concordasse em ter apenas visitas espordicas de seu filho.
Ao avistar o rancho, ela se sentiu aliviada. Tinham trocado poucas palavras durante a viagem. Jake avisou Ryder, pelo rdio, de que estavam se aproximando, e Matthew estava com ele quando foram, de carro, at a pista de pouso.
Os olhos do menino brilhavam e Catie percebeu que ele j tinha estabelecido uma grande amizade com o tio. Aproximou-se, correndo, contando tudo o que fizera durante a ausncia da me.
Ela duvidava que, em algum minuto, o garoto tivesse sentido sua falta, tamanha era sua alegria.
Catherine surpreendia-se com a mudana no filho, ele agia como se alimentar o gado fosse to emocionante quanto seus jogos de computador.
	Bem, filho, parece que aprendeu muitas coisas sobre a vida no rancho, desde que samos daqui  Jake observou, e o menino abriu-lhe um enorme sorriso, que fez o corao de Catie se apertar.
	Tio Ryder me deixou cavalgar outra vez hoje  ele contou, feliz.
Quando chegaram  casa, no foi difcil colocar tudo o que haviam trazido em ordem, pois havia muitas mos para ajudar. E logo Catie e Matthew estavam muito bem instalados nos quartos que ocupariam naquele vero.
Pouco depois, sozinha, Catherine ouvia os sons que vinham do quarto contguo, lembrando-se de que teria de dividir aquele banheiro, o que seria um transtorno para a deciso de manter-se afastada de Jake.
Comeou a arrumar suas coisas na cmoda e, de repente, uma estranha sensao a invadiu. Fazia muito tempo que no se sentia parte de uma famlia. Nunca mais vira os pais e as irms e agora estava ali, dividindo a casa com aquela famlia grande e feliz.
Matthew estava adorando, mas ela no conseguia deixar de sentir-se  parte de tudo aquilo.
Quando terminou a arrumao, notou que j era quase hora do jantar e imaginou que poderia ser de alguma-ajuda na cozinha. Saiu do quarto e encontrou Ashley brincando com as gmeas na sala de tev.
	Ol!  saudou, um tanto tmida.
Ashley, porm, abriu um enorme sorriso.
	Oi, Catherine! Eu j ia dar o jantar para duas riquezas  comentou, levantando-se.  Quer ajudar?
	Eu adoraria!  Fora mais fcil entrosar-se do que Catie imaginara.
	timo! Pegue Melissa, sim? Preciso preparar as mamadeiras.
	Voc no as amamenta?
	Tive leite apenas por algum tempo, at ficar grvida, para ser mais exata.
Ela preparou as duas mamadeiras e, dando uma delas a Catherine, sentou-se para dar a outra a Michelle.
	Sabe, ando sempre muito cansada  comentou, casual.  Mas Ryder  um excelente pai e a famlia dele praticamente me adotou. Mas foi difcil para mim no comeo. No sabia se queria morar aqui, se poderia me sentir bem... Mas os McCall so timos.
Catherine baixou os olhos sobre Melissa, que mamava, quietinha, em seu colo.
	 assim que me sinto, tambm  comentou.  Embora minha estadia aqui no seja permanente. No tenho famlia, mas... viver longe de minha casa parece-me to estranho...
	No est se sentindo assim porque tem que viver perto de Jake agora?  Ashley arriscou, ousada.  Sabe, tenho a impresso de que nem tudo est bem entre vocs... Ele estava to calado quando chegou e, quando lhe perguntei sobre voc, resmungou algo que no pude compreender.
	Tivemos alguns desentendimentos enquanto estvamos fora  Catie explicou, percebendo que a outra era muito esperta.  Pensei, at, em no vir mais, mas eu sabia o quanto era importante para Matthew... Mas sei que vou acabar ficando louca se no encontrar alguma
coisa para fazer durante o vero. Estive pensando... Jake falou em chamar uma senhora para ajudar voc na casa. Eu no poderia fazer isso enquanto estou aqui?
Ashley sorriu.
	Tem certeza de que quer, mesmo?  indagou.
	Eu preciso fazer algo e acho que seria timo se pudesse ajudar enquanto estou aqui, de certa forma dando trabalho a vocs...
	No  trabalho algum, mas devo confessar que a ideia me agrada porque no quero uma estranha aqui dentro.
Catherine imaginou que aquela era uma observao, no mnimo, esquisita, j que ela prpria era quase uma estranha para Ashley.
	Sei o que est pensando, mas voc no  mais uma estranha nesta casa  explicou a cunhada de Jake.   parte da famlia, sendo a me do filho de Jake.
	Obrigada  Catherine murmurou, sentindo, de repente, uma enorme vontade de pertencer, de fato, a uma famlia como aquela.
Ela se preparara para falar com Jake, quase chegando a ensaiar as palavras que iria usar. No entanto, Ashley anunciou a deciso a todos, durante o jantar. E assim que ela mencionou a oferta de Catherine em ajudar, os olhos de Jake fitaram-na, firmes, srios.
	Isso no  necessrio  objetou ele, de pronto.
	Se estavam pensando em contratar algum para ajudar, por que no eu?  Catherine insistiu.
	Porque voc  uma hspede e hspedes no lavam, passam ou cozinham.
	Isso  ridculo, Jake!  Ashley interferiu.  Eu tambm era apenas uma hspede quando vim para c, e vocs aceitaram que eu fizesse o servio.
	Isso foi diferente.  A expresso dele se suavizou quando encarou a cunhada.
	No vejo em qu. Voc v, Ryder?
	No, meu amor.  Ryder olhou para o irmo, com um sorriso nos lbios. Era bvio que estava gostando de enfrent-lo.  A no ser que queira nos explicar por qu, Jake. 
Catherine no sabia ao certo o que estava acontecendo, mas era claro que contava com a ajuda de Ashley e de Ryder.
	Acho que  uma grande ideia!  Lynn interferiu, apontando com o garfo para Jake.  Entendo muito bem por que Catherine no quer ficar por a, sem ter o que fazer.
Jake percebeu que estava vencido. E no sabia explicar por que no queria que Catie fizesse algum servio na casa, talvez porque fosse algo muito pessoal... para ele.
	Mame adora limpeza  Matthew opinou.  Aposto que vai deixar todo mundo aqui maluco!
	Matthew!  Catherine admoestou.
	Ento, deve receber um salrio  Jake observou, ainda muito srio.
Catherine arregalou os olhos ao responder:
	No, senhor!
	Vai, sim, se quer trabalhar.
	No pode me obrigar a aceitar o dinheiro!
Jake cerrou os dentes. A confrontao direta com Catie estava sendo difcil para ele, como eram todos os momentos em que tinha de ficar perto dela e manter o controle.
Olhou para o filho, sabendo que no queria aborrec-lo, e, levantando-se, murmurou para Catie:
	Vamos discutir este assunto num outro lugar.
Saram da casa, observados pelo olhar curioso dos demais, e foram para a varanda. Catherine notou o cu estrelado e admirou-se por v-lo to lindo. Voltou o olhar para Jake e percebeu o quanto ele estava prximo. Deu um passo atrs, ento, e falou:
	No quero discutir com voc, mas preciso fazer alguma coisa durante o tempo que ficar aqui.
Ele a olhava, a vontade de beij-la crescendo em seu peito. Imaginava como era possvel irritar-se tanto com Catie e, ainda assim, desej-la tanto...
	No quero que faa servio domstico para ns  teimou.
	E sua vontade sempre prevalece, certo? Olhe, mudei totalmente meus planos para este vero apenas para agradar Matthew. E no vou passar o tempo todo sem fazer nada! Goste ou no, vou ajudar na casa!
Ele engoliu em seco. Era torturante olh-la e desej-la tanto, sem poder toc-la.
	Faa como quiser  disse, por fim.
Catie sorriu. No esperava que fosse to fcil convenc-lo.
	Bem, no vai haver mais discusses, ento?  brincou, provocando-o.
	Pare com isso  ouviu-o ameaar.
	Ou... Vamos, Jake, qual  o problema? No est acostumado a perder ou o que o aborrece  ter perdido para mim?
Aquelas palavras romperam a barreira de controle que ele se impunha. Com uma das mos, ele a puxou para si, para o beijo ardente que a tomou de surpresa e que a deixou com as pernas fracas.
No entanto, com a mesma facilidade com que a tomara, Jake a afastou, avisando:
	Procure no me provocar mais. Da prxima vez, no vou me interromper e, acredite, nem vai querer que eu o faa.
Ele deu-lhe as costas e tornou a entrar na casa, deixando-a ali, os lbios aquecidos por seus beijos, o corpo ardendo de desejo. Catie sabia que estava perdendo terreno naquela batalha. Seu corao estava em perigo, mas havia pouco a fazer por ele quando Jake estava por perto.

CAPTULO VIII

A primeira coisa que Jake decidiu fazer no dia seguinte foi descobrir o que levara Frank Davis a enviar aquela carta para Catherine em seu nome. Estava, agora, com ela no escritrio de Rand Jensen, que, aps a morte de Frank, tinha assumido sua clientela.
Olhou-a, sentada  sua frente, lembrando-se da carta que ela lhe mostrara na manh em que tinham deixado Lubbock. Como quase no tinham conversado, nada fora dito sobre a carta que tivesse maior importncia agora.
Era uma caArta breve, clara, objetiva, informando Catie de que ela devia estar se referindo  pessoa errada. Jake entendera por que ela se sentira to magoada, embora reconhecesse que no fora sua culpa. Assim, nem a carta justificava a atitude dela, em sua opinio.
A secretria de Jensen apareceu pouco depois, levando-os, gentilmente, a uma sala onde havia algumas pastas dispostas sobre uma mesa oval.
 Fiquem  vontade  disse ela.  Os arquivos que queriam ver esto aqui.  E saiu em seguida, discreta.
Jake e Catie sentaram-se. Ele no sabia o que poderiam encontrar. Escolheu uma das pastas, cujo rtulo dizia: "Correspondncia".
Inclinou-se para junto de Catie, para que ela pudesse seguir o contedo consigo, e logo sentiu seu perfume.
Demorou alguns minutos at que entendessem a desordem da pasta. A esposa de Frank fora sua secretria e trabalhava apenas meio perodo, e teriam de procurar a esmo, sem uma ordem, j que ela, ao que parecia, no dispusera de tempo para organizar os detalhes do servio no escritrio.
Algum tempo depois, Jake encontrou uma cpia da carta de Catie, anexada  dela, escrita de prprio punho. A angstia que ela sentia era aparente. Jake leu, atento, notando a aflio nas entrelinhas.
Jake meneou a cabea. No entendia por que Frank no lhe dissera nada antes de enviar a resposta. Continuou vasculhando, at que encontrou um bilhete em papel cor-de-rosa, misturado a outras folhas. Olhou-o com ateno e mostrou-o a Catie.
O bilhete continha a data de uma semana aps a chegada da carta de Catie ao escritrio de Frank. Havia, tambm, uma anotao que dizia ter o advogado conversado com Jake a respeito.
	E este nome... Kathleen?  Catherine indagou, sem entender.
Jake pensou por instantes, depois praguejou baixinho, explicando em seguida:
	Lembro-me de um dia em que Frank foi ao rancho, perguntando se eu conhecia uma mulher chamada Kathleen. Disse que tinha recebido uma carta dessa pessoa, mas que no se lembrava do sobrenome. Nunca mais falou a respeito, e nem eu me lembrei do caso. Ele disse o nome errado e, como eu disse que no a conhecia, enviou a carta a voc.  Jake olhou-a, arrasado.  Sinto muito, Catie... nunca imaginei que pudesse haver alguma relao... tudo por causa de uma confuso de nomes!
Ela sentia vontade de chorar, mas procurava manter o controle. Tantos anos de sofrimento e dor tinham se passado, e tudo por causa de um erro to simples, to banal...
No chore  Jake murmurou quando, por fim, ela no conseguiu mais segurar as lgrimas.  Pelo menos descobrimos o que aconteceu. Frank no agiu de propsito, como pode ver.
Ela se afastou. As palavras dele pareciam ratificar sua opinio de que mantivera a existncia de Matthew em segredo porque assim o quisera.
Catherine nunca andara a cavalo. Observava, a distncia, enquanto Ryder preparava a gua cinzenta, e estava ansiosa.
	Esta  Fl  explicou ele, trazendo o animal pelas rdeas.   muito mansa.
	No sei... estou to tensa...  observou.
	No fique. Deixe tudo por conta de Fl, est bem?  Ele sorria com aquele seu incrvel charme de caubi.
	No sei por que devo aprender a montar  Catherine queixou-se.
	Porque est aqui h algumas semanas e j limpou tudo o que er possvel limpar na casa. E a melhor maneira de lidar com o excesso de energia  aproveitar o sol, sabia?
	Fazer compras ajuda tambm...
	Ora, vamos! Cavalgar  timo! Por que no tenta?
Catherine tentou, colocando o p no estribo. Mas, assim que deu impulso, a gua moveu-se e ela desistiu.
	Talvez, outro dia...
	Vamos, Catherine! Sei que consegue!  Ryder incentivou e, vendo que ela tentaria novamente, ajudou-a com um empurrozinho.
	No tm nada melhor a fazer?  A voz tomou-os de surpresa.
Ryder voltou-se para Jake, que se aproximava.
	Achei que j estava na hora de Catherine aprender a montar  explicou, com ar de desafio, mas sem abandonar o sorriso.
	Pensei que ia para o lado sul para verificar a cerca que caiu.  Jake observava a mo do irmo, que ainda segurava a cintura de Catherine.
	Eu no disse que ela caiu e, na outra vez em que a verifiquei, foi porque eu quis, sem nenhum patro me dando ordens.
Jake calou-se, mas estava visivelmente irritado.
	Olhe, no estou, mesmo, disposta a continuar com isto  Catie explicou, encontrando uma desculpa para desmontar.
Ryder tocou-lhe a coxa de propsito, notando o olhar intenso de Jake para seu gesto, e insistiu:
	Fique a, querida!  E, voltando-se para o irmo, disse:  Ela tem trabalhado tanto na casa! Merece relaxar um pouco!
	Ningum disse o contrrio  foi o comentrio sardnico.
	Bem, ontem  noite, durante o jantar, ela admitiu que no sabia cavalgar e voc no se ofereceu para ensin-la  Ryder acusou.
Era verdade. Estivera com Matthew o dia todo, ensinando a seu filho como lidar com os cavalos, e estava satisfeito com o progresso do menino.
	Posso faz-lo agora  disse, mas parecia que isso iria custar-lhe muito.
Tentara manter-se afastado de Catherine, sabendo que sua atrao por ela seria perigosa. Mas agora que a vira em companhia de seu irmo, alguma coisa dentro de si mudara, deixando-o extremamente irritado.
	Mas Catherine pode no querer sua ajuda.  Ryder respondeu, soando, para Jake, mais desafiador do que nunca.
Catherine moveu-se na sela, desconfortvel. A ltima coisa que queria era que os dois discutissem por sua causa, ou que Jake se visse forado a ensin-la. Tambm no queria ficar a ss com ele.
	Vamos esquecer essa histria  sugeriu.  Eu no estou com vontade de aprender...
Ryder sorriu novamente e deu-lhe alguns tapinhas na perna, dizendo, enquanto passava as rdeas a Jake:
	No seja tola, querida. Vai se divertir muito. Afinal, estar em boas mos...  Afastou-se, lanando mais um olhar a Jake.
	No temos que fazer isto, voc sabe...  insistiu ela, assim que ele comeou a verificar se a sela estava bem ajustada.
	Por qu? Acha que eu no poderia ensin-la?
	No, no foi isso que eu disse...
	Ento, o que h? Est com medo de ficar sozinha comigo?
	Isso  ridculo. Por que estaria?
Mas Jake no respondeu. Apenas comeou a caminhar, segurando as rdeas e recomendando:
	Segure firme.
Catherine agarrou-se com tanta fora  crina do animal que a gua reclamou, sacudindo a cabea e assustando-a ainda mais.
Jake teve vontade de rir, mas controlou-se.
	Solte um pouco. Est deixando Fl nervosa  aconselhou.
	Eu a estou deixando nervosa? Eu  que estou apavorada!
	Ento, fique mais relaxada na sela.
Mas o medo era mais forte do que ela. A gua que Ryder escolhera no parecia to mansa assim. Jake olhou-a, paciente, e, num movimento rpido, passou uma das rdeas por sobre a cabea do animal, dizendo:
	Sente-se mais para a frente.  E, no instante se guinte j estava montando atrs de Catherine.
Passou os braos ao redor dela e continuou explicando:
	Se voc se soltar um pouco, Fl vai sentir que voc sabe o que est fazendo e vai parar de balanar assim.
	Mas eu no sei o que estou fazendo! E no acho que sua presena aqui, comigo, v engan-la.
Jake sorriu e, com um estalar da lngua, fez o animal mover-se com suavidade. Depois, passou as rdeas para as mos de Catherine, segurando-as nas suas, iniciando enormes crculos pelo cercado.
	Relaxe  disse, junto ao ouvido dela.
Ela imaginava como poderia relaxar com ele assim to prximo, falando baixo em seu ouvido. Podia sentir-lhe o corpo forte colado ao seu e isso causava-lhe emoes intensas.
Depois da noite em que ele a beijara, na varanda, Jake procurara manter-se afastado o tempo todo.
	Me!  Matthew ichamou, ento, e logo sorriu.  Puxa, voc tambm est aprendendo a montar!
Ela sorriu de leve, tentando no mostrar seu nervosismo. No queria decepcion-lo e, mesmo tendo pensado em desistir, agora queria continuar.
	Estou tentando  respondeu.
	Papai disse que qualquer pessoa pode aprender a montar  Matt observou.
Catherine sentiu um frio no estmago. Seu filho chamara Jake de "papai". Sentiu que lgrimas vinham a seus olhos e buscou os dele, vendo o quanto era importante para Jake poder estar com o filho, ensinar-lhe algo.
Seu corao estremeceu diante de tal constatao.
Seus olhares estavam ainda ligados, num entendimento mtuo, e Jake deixou de pensar em qualquer outra coisa. Precisava beij-la novamente. 
Mas a gua escolheu aquele exato momento para se inquietar outra vez, fazendo-o interromper o instante de magia para acalmar-se.
Sentiu-se, de imediato, um tolo. Seu desejo por Catie estava tirando-lhe a razo, imaginou. Apeou, ento, estendendo os braos para que Catherine fizesse o mesmo e, assim que ela se firmou no cho, soltou-a e afastou-se alguns passos.
 Est ficando tarde  comentou ela.  Vou ajudar a preparar o jantar. Obrigada pela aula. - E, chamando Matthew para junto de si, disse ao filho:  V lavar as mos, querido.
Jake observou-os enquanto se afastavam, deixando que todos os seus pensamentos mais ardentes fossem para Catie. Queria-a demais, embora ainda houvesse em sua mente aquele ressentimento impertinente que o lembrava de ter perdido a infncia do filho por causa dela. Segredos... Como os detestava!
Era estranho, mas todas as que tinham sido importantes em sua vida, o tinham, de alguma forma, decepcionado. Catie, seu pai, Maxine... Apesar da carta do advogado, ela deveria ter insistido em contat-lo. No podia, agora, deixar-se dominar pelo desejo que sentia por ela. Precisava ser forte e lutar contra ele.
No entanto, sentia-se um tolo por ainda quer-la tanto.

CAPTULO IX

Catherine no estava preparada para o que estava por vir. Depois daquele primeiro dia, ela imaginara que Jake no continuaria tentando ensin-la a cavalgar. Mas Ryder trouxera o assunto novamente  tona, no jantar, dizendo que, se seu irmo no a ensinasse, ele mesmo o faria.
Isso bastara para que Jake declarasse estar disposto a continuar com as aulas diariamente, como fazia com Matthew. E, com o passar do tempo, Catherine e Fl comearam a se entender muito bem.
O mesmo, porm, no acontecia entre ela e Jake. Havia uma animosidade latente entre ambos cada vez que estavam juntos e a ss. E era uma animosidade diferente, j que a atrao entre os dois se tornava cada vez mais forte.
Certo dia, ela entrou no estbulo, diminuindo os passos assim que a penumbra l de dentro a atingiu. Estava decidida a tentar cavalgar sozinha. Jake a ensinara a selar o animal e, embora a sela fosse um tanto pesada para levant-la at o dorso de Fl, ela estava determinada e nada a deteria.
Russ Logan estava no estbulo e Catherine o cumprimentou ao passar at a baia de Fl. O capataz, percebendo suas intenes, ofereceu-se para ajud-la a arrear a gua e Catie aceitou.
Russ era um sujeito calado, mas educado e, na opinio de todos no rancho, muito confivel. Tambm era, ela notou, um homem bastante atraente.
Ele falava pouco, mas seus olhos pareciam no perder nenhum detalhe, fosse do que fosse. E Catherine sentia que ele trazia muitos segredos dentro de si, embora nunca falasse com ningum a respeito.
Enquanto ele amarrava as correias ao redor da barriga de Fl, Catherine pensava nas altercaes que Lynn muitas vezes tinha com o capataz. Ela dizia que ele era cabea-dura e teimoso demais para seu gosto.
Quando Russ terminou, ela agradeceu, vendo-o afastar-se, quieto como sempre. Ofereceu, ento, um pedao de cenoura ao animal, para que Fl permanecesse calma. Jake esperava que pudessem cavalgar juntos naquela tarde e ela queria estar bem preparada.
Assim que montou, notou que Jake chegava, em seu cavalo, e que parava a certa distncia.
	Vejo que est pronta  ouviu-o comentar.
	Podemos seguir agora, ento.
Ele no lhe dera tempo para treinar, mas no deixaria que Jake percebesse o quanto ainda estava tensa. Assentiu, seguindo-o. Aos poucos, afastaram-se do ptio e embrenharam-se por uma trilha que, na opinio de Catherine, era bastante desigual e perigosa.
	Tem certeza de que este  o melhor  caminho?  perguntou, irnica.
	No, mas no vai se arrepender quando ele terminar.
Catherine prosseguiu, distrada em olhar a paisagem ao redor e, em dado momento, um galho mais baixo de uma rvore bateu contra seu rosto, fazendo-a soltar um pequeno grito, mais de susto do que de dor.
Jake voltou-se de imediato, e, vendo que no era nada grave, prosseguiu.
Pouco adiante, chegaram a uma clareira, que se abria at um belo lago. A viso deixou Catherine de boca aberta. O lugar era maravilhoso. Havia inmeras flores silvestres espalhadas por entre a relva, e as guas azuis do lago refletiam o cu sereno.
Jake apeou junto  margem e Catherine imitou-o, soltando Fl, como Jake fizera com sua montaria.
	Deixe-me ver isso  disse ele, apontando para seu pescoo, onde o galho batera.
	No  nada  mentiu ela, j que a dor comeara a se intensificar logo depois do choque.
	Puxa! Est feio!  comentou ele, tocando-lhe de leve a pele ferida, onde algumas gotas de sangue comeavam a aparecer no arranho mais profundo.
Catherine sentia-se desconfortvel com o toque das mos dele. Mas suas palavras a irritaram:
	Se estivesse prestando ateno ao caminho, no teria se machucado. Venha, precisamos lavar esse ferimento.  E praticamente arrastou-a para a sombra de uma rvore, para depois apanhar um cantil de sua sela.
	Deixe que eu fao isso. Catherine ergueu as mos. 
No queria as de Jake em sua pele nem por mais um segundo.
No entanto, foi como se nada tivesse dito, pois ele a ignorou por completo.
	Sente-se  disse apenas, empurrando-a para o cho, com certa fora.
Catherine cerrou os olhos por segundos e desistiu de resistir. Jake retirou um leno do bolso da camisa de brim e molhou-o, torcendo-o de leve. Depois levou-o ao corte e Catherine recuou, sentindo a dor acentuar-se.
	Calma  murmurou ele.  Vamos ter que limpar isto melhor quando voltarmos ao rancho.
Ela engoliu em seco. Jake estava prximo demais, atento demais a seu pescoo, e isso a perturbava como nunca. Percebeu que ele vacilava, que olhava para seu pescoo com ateno redobrada, que no estava vendo o ferimento, mas antecipando um beijo suave que serviria como um blsamo melhor do que qualquer pomada.
Ela suspirou ao sentir-lhe os lbios. O momento que antecipara, temerosa, chegara, afinal. Jake a queria e no fazia questo de esconder isso.
No demorou muito para que seus lbios tomassem os dela, num beijo intenso, carregado de paixo.
Catherine sabia que no deveria deixar que aquilo acontecesse, que precisava estar armada contra o que sentia por Jake, mas era tarde demais. Seu corpo todo pedia por ele e sabia que seu desejo era intensamente correspondido.
Ali, sob a sombra daquela rvore, podiam viver toda a intensidade de seu amor mais uma vez, podiam entregar-se, completar-se. Podiam viver novamente as delcias do passado, quando estar nos braos um do outro era tudo o que mais queriam.
E, aos poucos, foram perdendo a noo de tudo ao redor, entregando-se  paixo avassaladora que cada novo beijo incendiava, desfrutando do prazer de saberem se amar.
	Sempre foi to bom, no, Jake?  perguntou ela pouco depois, quando seu corpo, j saciado, repousava sobre o dele.
Mas Jake no respondeu de imediato. Comeava a retomar em sua conscincia tudo o que tinham acabado de fazer, e algo o incomodava.
	Catie...  comeou, mas ela o interrompeu depressa:
	Nem ouse se desculpar! No planejamos nada disso e posso muito bem conviver com um caso.
Jake calou-se de vez. Um caso, ela dissera... No esperava que ela visse a situao de ambos de maneira to prtica e devia sentir-se aliviado por isso, mas no era o que acontecia.
	No sei o que acontece  conseguiu murmurar.  Sempre que a olho, minha sanidade acaba.
Ela apenas sorriu e recomeou a se vestir. Em silncio, Jake fez o mesmo, pensativo. Sabia que aquela situao no os levaria a lugar algum. Nada tinham em comum, a no ser Matthew.
Viviam vidas diferentes, em cidade diferentes. E, em pouco tempo, ela estaria de volta a sua rotina longe do rancho. No havia um compromisso entre ambos, e nunca haveria. Ele no lhe poderia dar nada.
Catherine ainda era jovem, poderia casar-se, ter outros filhos. E ele nunca lhe poderia oferecer tal coisa.
	O que houve?  ouviu-a perguntar e voltou-se, para
v-la. Catherine prosseguiu, e seu tom pareceu magoado:
 Voc nunca mais ligou para mim depois que deixou a faculdade.
	Eu pretendia, ms... havia tanto a fazer aqui no rancho... Se tivesse sabido sobre Matthew, juro que no a teria deixado sozinha.
Ela baixou a cabea, entristecida. As recordaes do passado ainda doam.
	Como seus pais encararam a situao?  Jake quis saber.
	Como acha que encararam? Eles me deserdaram, disseram que nunca mais queriam me ver.
Ele encarou-a, perplexo.
	O qu?!  exclamou.
	Eu esperei o quanto pude para contar-lhes a verdade. Ento, quando recebi a carta de seu advogado... decidi dizer-lhes tudo. Imaginei que me apoiariam, afinal... eram meus pais e... bem, eu no tinha cometido o pior dos pecados. E eu precisava muito de algum que me ouvisse, que me ajudasse a superar a dor de ter perdido voc, de estar grvida e sozinha.  Catherine sorriu, amarga. Sentia o corpo estremecer, como naquele dia em que seus pais tinham se voltado contra ela.  Meu pai me chamou de rameira... Disse que eu no tinha moral alguma e que Deus estava me punindo por ter sido fraca.
	Catie, eu sinto tanto...
Os olhos dela se encheram de lgrimas, e Catherine virou o rosto, para escond-las.
	Eu sabia que os decepcionara  sussurrou, sentindo um aperto dolorido na garganta.  Sabia que minha gravidez era um choque muito grande para eles. Mas pedi tanto a Deus que eles entendessem e me apoiassem...  E ento os soluos a tomaram, como se, nunca antes, tivesse sentido com tanta intensidade a rejeio de seus pais.
Jake tomou-a nos braos e beijou-lhe os cabelos.
	Sinto muito  repetiu, num fio de voz.
	Eles me proibiram de continuar vendo minhas irms  Catie prosseguiu, num desabafo.  Disseram que eu seria uma pssima influncia para elas.
Jake estreitou-a mais, sabendo qu seu abrao era um consolo bem-vindo. Quando, por fim, os soluos pararam, Catherine passou as mos pelo rosto molhado e disse ainda:
	Bethany e Sarah devem estar com vinte e poucos anos agora. Gostaria tanto de reencontr-las, de dizer-lhes que foi nosso pai quem me impediu de v-las... Que as amo muito ainda... Nunca mais as vi. Escrevi tantas cartas, mas nunca houve uma resposta. No sei se no querem me ver ou se meu pai nunca permitiu que as cartas chegassem at elas.
	Eu... gostaria de poder voltar no tempo e fazer com que tudo fosse diferente para voc, Catie. Quero que saiba que jamais a deixaria passar por tudo isso sozinha se soubesse sobre Matthew.
	Bem, agora no importa mais.  Ela se afastou abruptamente.  Nem sei por que lhe contei tudo isso. Acho que me pegou num mau momento. Aprendi a viver com meu passado sem maiores problemas.
Jake pensou por instantes, absorvendo tudo que lhe fora dito nos ltimos minutos.
	Doze anos  bastante tempo, Catie  comentou, por fim.  No acha que poderia ter encontrado um tempinho para me procurar e falar-me sobre Matthew?
	No sei por que insiste nisso. Sabe muito bem que tentei entrar em contato, que telefonei e deixei recados.
	Mas isso foi no comeo, quando descobriu que estava grvida.
	Mas depois recebi sua carta e...
	Sabe muito bem que no enviei aquela carta, Catie.
	Sim, mas, na poca, eu achei que tinha sido voc. Precisa tentar entender como eu me senti ento. E eu jamais tentaria for-lo a assumir uma responsabilidade apenas para cumprir com seu dever.
Jake assentiu. Olhou para as guas calmas do lago e respirou fundo, absorvendo a paz daquele lugar.
	Eu gostaria de ter sabido  comentou, em voz baixa.  Gostaria de ter participado da infncia de Matthew. Perdi muitos anos que jamais voltaro.
	Eu sei.
	Matthew  a coisa mais importante em minha vida agora. E no quero que o afaste de mim novamente.   Aquilo soava como uma advertncia.
	Tambm sei disso. E, no importa p que acontea, quero que passem algum tempo juntos.
Ele no entendia bem o significado daquelas palavras. "No importa o que acontea", ela dissera. Se ela estava aberta a ter apenas um caso de passageiro, era o que lhe daria. Baixou a cabea e beijou-a, para depois dizer:
	 melhor irmos, antes que algum venha nos procurar.
Voltaram devagar, deixando os cavalos seguir  vontade. Catherine dissera que poderia lidar com um caso e agora teria de prov-lo.
Fazer amor com Jake apenas lhe mostrara o quanto ainda o amava. Estaria agindo mal em aproveitar os momentos que ainda tinha no rancho, mesmo que fosse despedaar seu corao novamente?
Quando estavam no estbulo, Matthew apareceu, correndo.
	Me, pai, no sabem o que aconteceu.  Ento, os olhos do garoto se arregalaram.  Me, o que aconteceu?
	Nada...  ela explicou.  Estvamos cavalgando quando um ramo bateu contra mim.
	No est doendo?  melhor entrar depressa e cuidar disso antes que piore  ele aconselhou, sabendo que era a melhor coisa a fazer, e Jake sentiu orgulho ao ver que o filho se preocupava com Catie, que no estava to aborrecido assim com ela a ponto de descuidar de seu apreo.
	 o que amos fazer  Jake afirmou.  O que acha de cuidar dos cavalos para ns?
	Claro!  Matt sorriu e tomou as rdeas de ambos.
Jake e Catherine seguiram para a casa e, assim que entraram, Lynn veio em sua direo, dizendo, irritada: 
	Aquele homem  o pior, o mais mal-humorado e teimoso que j conheci!
	Russ?  Jake indagou.
	E quem mais poderia ser? Ele acha que sabe tudo, que entende de tudo! E, pior do que isso, acha que sou incapaz de aprender as tarefas mais simples! No sei por quanto tempo mais vou suport-lo.
De repente, ela percebeu os arranhes no pescoo de Catherine e exclamou:
	Meu Deus, o que houve?
	Tive um probleminha com um galho quando cavalgava  Catherine explicou, sorrindo.
	Nossa!  Lynn aproximou-se para observar melhor.  No est doendo?
Naquele momento, Ashley apareceu, vinda da sala de tev, trazendo uma gmea em cada brao.
	Catherine se feriu num galho  Lynn explicou logo, apontando para o ferimento.
	Jesus!  Ashley alarmou-se.  Venha, vamos cuidar disso, Catherine!
	Voc est ocupada  Jake interferiu.  Deixe que eu cuido dela.  E, antes que algum pudesse dizer alguma coisa, pegou o brao de Catherine e levou-a dali.
Quando se foram, Lynn olhou para a cunhada e comentou, maliciosa:
	Nossa! Que senso de propriedade!
	 verdade  Ashley concordou.  Parece que as prximas semanas vo ser bem interessantes...
E as duas trocaram um olhar cmplice.

CAPTULO X
Catherine ouvia o chuveiro ligado, no banheiro que dividia com Jake. J fazia mais de uma semana que tinham feito amor e seu corpo parecia pedir pelo dele.
Um animal selvagem tinha atacado o rebanho no pasto norte e Ryder pedira a Jake que o acompanhasse at pegarem-no. Quando voltaram, dias depois, Catherine sentira-se feliz por v-lo de volta, mas no pudera abra-lo como Ashley fizera com seu marido.
Dissera a Jake que poderia lidar com um caso entre ambos e estava disposta a levar tal ideia adiante. Tirou as roupas depressa, antes de poder se arrepender, e abriu a porta do banheiro.
Ele saiu de baixo do chuveiro de imediato e abriu a porta do box. Sua expresso de surpresa logo foi substituda por outra, de desejo, e estendeu a mo para ela, sem dizer uma palavra.
Catherine sentia-se feliz, poderosa em sua seduo. Sentia que Jake a queria demais, que estava perdido em seu desejo, e entregou-se mais uma vez, completamente, sabendo que estava, novamente, apaixonada por ele, como no passado. E sabendo, mais do que tudo, que teria de partir dali a algumas semanas.
	Vai descansar o dia todo ou pretende trabalhar um pouco tambm?  Jake perguntou a Ryder, vendo-o apoiar-se  cerca.
Estavam consertando o telhado de um dos celeiros havia vrios dias, e levariam muito tempo mais se Ryder, no entender de Jake, continuasse assim.
	Qual  o problema com voc, meu irmo? Anda muito tenso ultimamente, sabia?
	No h problema nenhum.
	Sei... No teria nada a ver com a partida de Catherine e Matthew em alguns dias, teria?
	No.
Ryder assentiu e aproximou-se do irmo.
	O que pretende fazer?
Jake endireitou-se. No sabia ao certo como agir. Estava acostumado demais com a presena de Catie no rancho. Tinham feito amor todas as noites depois daquele dia, no chuveiro.
	Sobre eles?  perguntou, sem pensar.
Ryder fez uma careta.
	E claro que  sobre eles.
	No tenho muita escolha, tenho? Pedi a Catherine que deixasse Matt ficar durante o vero e ela concordou. No posso pedir-lhe que o deixe definitivamente.
	Por que... no pede a Catherine que fique?  Ryder arriscou.
	Porque ela no o faria.
	Ah, ento conseguiu superar a mgoa por ela no lhe ter contado sobre o garoto.
	No. Acho que no.
	E de que adianta ficar alimentando esse ressentimento?
	Voc no sabe o que  ter algum mentindo para voc desse jeito.
Ryder encarou-o, percebendo alguma coisa por trs daquelas palavras.
	Vamos l, o que quer me dizer?  incitou.
	Nada.
	Ora, Jake, h algo de errado com voc, eu posso sentir! Por que no fala tudo de uma vez? No  s a partida de Catherine e de Matt que o est atormentando! Fale comigo, Jake!
Ele se voltou, encarando o irmo mais novo.
	Sou apenas seu meio-irmo, Ryder. E... no queria que acabasse sabendo assim.
Ryder olhava-o, sem entender.
	Mas... do que est falando?  estranhou.
Jake largou o martelo com que trabalhava e apoiou-se numa estaca.
	Nosso pai teve um caso com uma mulher de San Antnio enquanto estava casado com... sua me. E eu nasci dessa aventura.
	Ora, isso  bobagem. Mame jamais teria aceitado algo assim.
	Ao que parece, ela aceitou. Escute, Ryder, eu no queria que soubesse, mas, j que estamos falando nisso... eu vi os papis com a assinatura de mame para a adoo. Minha adoo. Tomei conhecimento de tudo isso quando voltei da faculdade para cuidar do rancho e de vocs. Pense bem, Ryder.  verdade. Sou fisicamente diferente de voc, Deke e Lynn. Acho que nossos pais jamais pensaram em nos contar, mas acabei descobrindo sem querer.
	E quem mais sabe disso?
	Apenas eu e voc, agora que Frank Davis est morto. E,  claro, minha me biolgica, seja ela quem for. Olhe, no quero que Deke e Lynn saibam.
	Jake, isso no faz a menor diferena. Voc  nosso irmo e sempre ser. Por que acha que nos importa ramos? Temos o sangue dos McCall nas veias, afinal! Sabia de tudo e cuidou de ns mesmo assim. Como acha, ento, que poderamos pensar de modo diferente se soubssemos a verdade?
Jake baixou a cabea, sem nada dizer.
	Tem carregado o peso dessa verdade por tantos anos!  Ryder prosseguiu, tocando-lhe o ombro.   por isso que tem sido to duro com Catherine? Est punindo-a por algo que nosso pai fez?
	No, no  isso. Mas no consigo perdo-la e nem confiar novamente.
	E vai deixar que ela saia de sua vida assim?
	No sou eu que vou fazer isso. Ela no quer ficar aqui, Ryder.
	Tem certeza? Lembre-se, ela vai levar Matthew e sei o quanto voc vai sentir falta dele. No os deixe ir, meu irmo. Olhe, no sou idiota. Tenho notado o modo como voc olha para Catherine e como ela olha para voc tambm.
Jake encarou-o.
	Cuide de sua prpria vida, est bem?  respondeu, mal-educado, numa foma de defesa.
	Vai me convencer de que no se importa se ela se for?
	No vou convenc-lo de nada. Agora, vamos voltar ao trabalho.
	Ah, voc  mais tolo do que eu pensava!
Jake sentou-se atrs da escrivaninha do escritrio, tentando no pensar que Catherine partiria no dia seguinte. Sabia que ela tinha sua vida, seu emprego em Lubbock e, a seu ver, tinha apenas duas alternativas: lutar pela custdia de Matthew, contra ela, ou aceitar as visitas espordicas que ele poderia fazer ao rancho.
No queria afastar-se de seu filho e, agora, avistando Catherine pela janela, vendo-a conversando com Russ, um aperto em seu peito denunciou que no estava preparado para afastar-se dela tambm.
Mas ela deixara claro que. estavam apenas vivendo um caso... Algo passageiro. Viu quando ela se despediu do capataz e veio em direo  casa, e decidiu esper-la  porta do escritrio.
	Catie, posso falar-lhe por um minuto?  pediu, assim que ela entrou.
O chamado acelerou o corao de Catherine. De alguma forma, nos ltimos dias, comeara a sentir-se mais feliz no rancho. Sabia, porm, que Jake a deixaria partir, que aceitara viver um romance passageiro com ela, mas que tudo acabaria em breve. E agora ele a chamava porque sua partida era iminente e, com certeza, queria falar-lhe sobre Matthew.
E, de fato, foi o que ele disse, sem rodeiros:
	Catie, quero que Matt fique no rancho comigo.
	O qu?!
	E... Quero ficar com ele permanentemente.
	No, Jake...  Ela mal conseguia falar. Seus olhos encheram-se de lgrimas.  Concordei em que ele ficasse durante o vero, para que se conhecessem melhor, mas...  assim que me agradece?
	Catie, no imaginei que fosse comear uma briga por causa disso.
	Mesmo? Achou, ento, que eu aceitaria com facilidade ficar longe de meu filho?  De repente, uma ideia terrvel passou-lhe pela cabea, e acusou:  Foi por isso que dormiu comigo, ento? Traou um plano para me seduzir e depois tirar meu filho de mim? Achou que assim seria mais fcil? Que eu deixaria meu filho aqui em troca de um romance de vero?
Catherine negou de leve com a cabea e deu-lhe as costas. Queria sair de l o quanto antes.
	Catie, espere!
Ela se voltou.
	Deixe-me em paz, Jake!
	Catie, escute, no quero mago-la...
	Pois magoou! E muito! E se pensa que vou desistir de meu filho sem brigar, est redondamente enganado!  Vou lutar com todas as minhas foras e, se voc ganhar a custdia dele na justia, pode ter certeza de que vou morrer lutando para recuper-lo!
Ela deixou o escritrio correndo, chorando muito. Passou por Ashley, mas no parou. Sentia-se trada e magoada demais. Precisava ficar sozinha para acalmar seu desespero. E, ao entrar em seu quarto, comeou a arrumar as malas depressa, pensando apenas em sair daquele rancho o mais rpido possvel.
Jake no a queria, repetia-se, ferida. Ele queria apenas o filho.
	O que aconteceu?  Ashley perguntou, vendo Jake  porta do escritrio.  O que disse a ela?
	Que quero ficar com Matthew.
	No acredito que tenha feito isso!
	J passei muito tempo sem ele! Tenho o direito de ter meu filho junto de mim!
	No percebe que ele vai sentir falta da me, Jake?
	Vamos encontrar um meio de programar visitas...
	No me pareceu que tenha proposto isso a ela. Catherine estava desesperada! Alis, voc pensou em dizer a Catherine o que sente por ela?
Jake sentou-se na cadeira atrs da escrivaninha. Se conhecia sua cunhada, ela no lhe daria um minuto de sossego at que tivessem esclarecido todo o assunto.
	Voc a ama, no?  ela insistiu. E, como ele no respondesse, completou:  Acho que perdeu o juzo, sabia? Porque todos nesta casa perceberam o que est havendo entre vocs.
Jake imaginava que tinham sido discretos. Encarou Ashley, murmurando apenas:
	Voc no entende...  muito complicado.
	Muito bem, ento explique!
	Sabe muito bem que no posso oferecer uma vida normal a Catherine.  Ele se referia a sua impossibilidade de ter filhos e no gostava de discutir o assunto com ningum, mas Ashley no parecia disposta a recuar.
	Essa desculpa  pattica, Jake. Por que no conversa com ela a respeito?
	Porque o assunto no est aberto a discusso. Catherine  jovem ainda e pode ter outros filhos. No vou atrapalhar sua vida com meus problemas.
	E como sabe se ela quer ter outra vida e outros filhos? Fale com ela!
	No. E no quero conversar mais sobre isso, nem com voc. Agora, com licena. Tenho outras coisas a fazer.
 E, sem dar chance a ela para prosseguir, saiu do escritrio, deixando-a sozinha.

CAPITULO XI

Jake saiu de casa e viu Matt entrando no celeiro. Tinha inteno de perguntar ao filho se ele queria cavalgar. Sabia que o menino adoraria. No entanto, no contava com a resposta que ouviu:
	Mame pode ir tambm?
	O que acha de, desta vez, irmos s ns dois?
	Certo!
Cavalgaram por algumas centenas de metros, conversando animados, mas os pensamentos de Jake continuavam presos a Catherine e ao que acontecera no escritrio. No tencionara apaixonar-se por ela novamente, mas isso fora inevitvel.
Olhou para o filho, vendo-o animado, e convenceu-se, mais uma vez, de que Matthew adoraria permanecer no rancho. Afinal, ele nunca mencionara seus amigos da cidade, nem qualquer outra coisa que o ligasse a sua vida l.
Mas as palavras de Ashley o atormentavam. E se Jake sentisse falta de Catie? E se viesse a odi-lo por t-lo afastado dela, por t-la magoado?
Alm do mais, amava-a demais para.tirar dela seu maior amor, o filho. Estava, portanto, dividido.
Quando j voltavam, Jake calou-se por longos momentos, para depois dizer ao filho, quase sem pensar:
	Vou sentir sua falta.
Matt encarou-o, a expresso surpresa, mas alegre.
	Vai ter que ir com sua me...  Jake completou.
	No... podemos ficar aqui?  Matt perguntou, com uma esperana cega que lhe iluminava o olhar.
	Keceio que no. Sua me tem um emprego em Lubbock e voc sabia que sua visita seria apenas durante o vero.
	Mas no quero ir embora. Por que no pede a mame para ficar? Poderamos viver aqui, como uma famlia...
Jake sentiu o peito se apertar. No queria magoar o garoto.
	No somos uma famlia, Matt  explicou.  Sua me vai lev-lo, mas quero que saiba que o amo muito e que vou esper-lo sempre que houver frias escolares. 
	No quer que eu fique agora?
	Isso no seria possvel. Tem que viver com sua me.
	Ento,  porque no se importa comigo! Achei que me amasse, mas no ama!
	Matt...  Jake comeou, mas o menino no o ouviu.
Fez com que o cavalo disparasse, pois j tinha habilidade para control-lo, e se afastou em disparada.
Jake respirou fundo e, com pacincia, seguiu-o.
Vai partir agora?  Jake perguntou, entrando no quarto e vendo que ela tinha as malas prontas.
Ela se endireitou, ainda muito magoada. Podia dizer a ele o quanto o amava, mas no o faria. A dor por ter sido rejeitada era ainda muito grande.
	Liguei para a companhia area e arrumei um vo para esta noite  disse apenas.  Ryder disse que nos levar ao aeroporto. Ashley e Lynn disseram que vo empacotar o resto das coisas e envi-las para ns mais tarde.
Ele assentiu. Calou-se por alguns momentos, depois declarou:
	No vou lutar contra voc pela custdia de Matt. Falei com ele h pouco e vi o quanto est aborrecido.
	Eu sei. Ele entrou chorando.  Ela falara com o garoto, mas ele estava muito zangado e decepcionado com o pai.
	Eu... quero que ele continue vindo, quando puder. Isso, se no estiver to zangado.
	 claro que ele vir, Jake.  Ela sentia um n na garganta. Viu-o afastar-se, parecendo sem graa, e apertou os lbios.
Percebia que ele se arrependera, que no queria mago-la, e isso significava que gostava dela. Por que no lhe pedia que ficasse?, pensou, aflita. Por que no lhe dizia que a amava tambm?
Ashley e Lynn abraaram-na carinhosamente na despedida. Catherine acariciou o ventre proeminente de Ashley e perguntou, com lgrimas nos olhos:
	Vai me avisar quando nascer, no vai?
	Vou ligar, prometo.
Catherine acenou de leve e foi para o carro, onde Mat-thew e Ryder a esperavam. No queria ter que despedir-se de Jake tambm?
	Tudo pronto, querida?  Ryder perguntou quando ela se sentou a seu lado.
Ela assentiu, olhando para o filho que, amuado, encolhia-se em um dos cantos do banco de trs.
Quase no houve conversa no caminho at o aeroporto. L, tiveram de esperar por quase uma hora at que o vo fosse anunciado.
	Meu irmo  muito teimoso  disse Ryder no momento da despedida.  Todos os McCall so, na verdade. Mas... no desista dele, est bem?
Catherine assentiu, mas j perdera toda a esperana de ter o amor de Jake. Ele nem mesmo estava ali para despedir-se...
Agradeceu a Ryder e, com o filho, seguiu em direo ao porto de embarque.
Mais uma vez, ela estava sem Jake. Mas passara por uma situao parecida no passado e agora, mais fortalecida pela vida, saberia como lidar com seus sentimentos.
Quando o avio pousou, suave, no aeroporto de Lub-bock, ela j estava decidida a dar novo rumo a sua vida. Passaram pela vistoria e encaminhavam-se pelo saguo quando Matt gritou:
	Papai!
Catherine seguiu, com os olhos, na direo apontada pelo filho, e sentiu o corao quase parar de bater. Jake estava recostado  parede de um corredor, os braos cruzados, o chapu meio cado para a frente, como quando fora busc-la no aeroporto de Crockett.
Matthew correu ao encontro do pai e abraou-o, enquanto Catherine ganhava coragem para continuar seguindo em sua direo. No sabia o que ele estava fazendo ali, mas sentia-se muito feliz por v-lo.
	H um carro esperando por ns, do outro lado do saguo  Jake disse ao filho.  V ver se o motorista est cansado de esperar.
O menino foi, sem contestar. Vendo-se a ss com Catherine, ele estava disposto a se explicar.
	Eu... precisava falar com voc  comeou.  Sei que poderia t-lo feito no rancho, mas... no importa. Sei que magoei voc, Catie, e sinto muito. Eu... bem... Est arrependida pelo que vivemos no rancho?
	No. Por que estaria? No fizemos promessas um ao outro.
	Talvez... devssemos ter feito.
Ela meneou a cabea, sem entender. Jake prosseguiu, segurando-lhe os braos:
	Tentei agir da maneira certa, Catie. Tentei deix-la partir, mas... no consegui. Eu a amo, Catie. Muito.
	Jake...
	Espere. No diga nada. Apenas oua: fiquei zangado com voc por muito tempo por ter escondido a existncia de Matt, mas... sei agora que no posso viver sem voc. E tentei me convencer de que apenas a queria, que havia apenas uma forte atrao entre ns, mas... estava enganado. Fui um tolo, mas... acha que ainda temos uma chance?
	Oh, Jake, eu o amo tanto!  E atirou-se nos braos dele, j chorando, aliviada de uma carga que carregara por tanto tempo...
Jake beijou-a, com a mesma paixo de sempre, e depois, junto a seus lbios, murmurou:
	H, ainda, outras coisas sobre as quais precisamos conversar. Uma delas, a mais importante, eu acho,  que... no posso dar-lhe mais filhos. Houve um acidente, h alguns anos, com um cavalo e... fiquei estril.
Catherine acariciou-lhe o rosto.
	E acha que isso faz alguma diferena para mim?  indagou, suave.
	Acredito que sim, porque  jovem, trabalha com crianas, deve gostar de estar com elas.
	Oh, Jake, a nica coisa que interessa  que voc me ama, querido.
Ele sorriu de leve.
	Ento... treze anos mais tarde, ser que eu poderia pedi-la em casamento?
Ela sorriu.
	Achei que nunca fosse me pedir isso...

EPLOGO

	Voc est linda!  exclamou Lynn, admirando o vestido de seda creme que Catherine usava.  Estou to feliz por voc e Jake!
	Amo seu irmo h tanto tempo!  ela afirmou, com um sorriso sonhador nos lbios.  Mal posso acreditar que vamos, finalmente, nos casar.
Tinham concordado em fazer uma cerimnia simples e convidar apenas os que viviam no rancho. No queriam esperar o tempo necessrio para grandes preparativos.
	Eu  que no posso acreditar que Jake v se casar!
Talvez, agora que vai ter sua prpria famlia, ele pare de tentar controlar minha vida.
	Ele se preocupa com voc, Lynn. E quer apenas o melhor, como sempre quis, para todos vocs, desde que seus pais morreram e ele assumiu o controle do rancho.
Lynn assentiu.
	E ns o amamos muito por isso. Estamos todos muito felizes por ele ter encontrado voc e Matthew. Jake merece ser feliz.
Batidas suaves soaram na porta do quarto, e Lynn foi abrir. Era Ryder.
	Est na hora, querida  disse ele a Catherine.
Ela tremia muito, tanto que tinha certeza de que se comeasse a andar suas pernas no a sustentariam, tamanha era sua ansiedade.
Lynn verificou, mais uma vez, se seu vestido de noiva estava impecvel e, como sua dama de honra, seguiu na frente. Ryder ofereceu-lhe o brao direito e, com orgulho, seguiu com ela at a sala de estar, que tinha sido preparada para a cerimonia.
Assim que passou o olhar ao redor, Catherine sentiu o corao doer. Junto aos convidados estava sua irm Bethany, a qual Jake, em segredo, conseguira localizar e convidar para o casamento.
Sarah infelizmente no pudera comparecer, mas enviara uma carta, cumprimentando a irm, a qual Catherine lera horas antes. Nela, Sarah explicava que elas jamais tinham recebido cartas suas e que nunca tinham deixado de am-la, mesmo assim.
Num dos cantos da sala, as gmeas brincavam em seu cercadinho, ignorando por completo a festa que no entendiam. Toda a famlia McCall estava presente, inclusive Ashley, com sua imensa barriga de oito meses de gravidez.
Os empregados do rancho tambm estavam ali, entre eles Russ Logan, que, com seu ar distante, observava tudo de longe.
Matthew sorria, junto ao pai, e ambos esperavam no altar improvisado, mas muito bem decorado com flores e fitas de cetim.
Quando a Marcha Nupcial comeou a ser tocada, Catherine sentiu as lgrimas virem a seus olhos e respirou fundo, tentando control-las. No entanto, quando Jake tomou-lhe a mo e o padre comeou a proferir suas palavras solenes, o choro foi inevitvel.
E foi em meio s lgrimas que ela disse seus votos de amor e fidelidade eternos e ouviu os de Jake.
Jamais imaginara que as palavras dele pudessem soar to sinceras, to firmes, to verdadeiras.
No final, quando o padre declarou-os marido e mulher, Jake beijou-a com paixo e depois, com um gesto, chamou o filho, para que, juntos, posassem para uma fotografia.
Ali estaria gravada para sempre a imagem de sua felicidade. Finalmente, ele estava com sua famlia!

FIM

